Antes da explosão da crise mundial, no fim de 2008, o Brasil passou pela mais longa expansão econômica dos últimos 30 anos. Entre junho de 2003, quando restaurou o crescimento após a recessão desencadeada no ano anterior, e julho de 2008, quando alcançou o auge da expansão, o país cresceu por 61 meses consecutivos.

O levantamento foi realizado pelo Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), da Fundação Getulio Vargas (FGV). Nos últimos 30 anos, o período que mais se aproxima do passado recente foram os 48 meses entre fevereiro de 1983 e fevereiro de 1987.

Quando estourou, em setembro de 2008, a atual crise mundial foi comparada ao crash de 1929 – a mais grave crise do século XX. No entanto, também seus efeitos no Brasil foram os mais rápidos dos últimos 30 anos, tendo durado apenas seis meses. Ao sustentar sua análise em variações mensais que indicam recessão como o período entre o pico e o vale, o Codace produz datação diferente do consenso na teoria econômica, que caracteriza recessões como dois trimestres consecutivos de queda da atividade.

Desde 1980, os períodos recessivos duraram em média 15,8 meses, tendo o período entre junho de 1989 e dezembro de 1991 alcançado o pior resultado: 30 tombos mensais. Na esteira da escalada inflacionária que se seguiu ao Plano Verão, quando a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 1989 em 1.972,91%, o país sofreu fortes reversões econômicas entre 1990 e 1991, com os planos Collor I e II. Em 1990, o PIB mergulhou 4,3% – o pior resultado em todo o século XX, segundo dados do IpeaData.

Uma década antes, no início dos anos 80, o país passou pela segunda maior recessão, de acordo com o levantamento do Codace. Entre outubro de 1980, quando o modelo de desenvolvimento econômico impetrado pelos militares desde 1964 se esgotou, e fevereiro de 1983, quando a crise alcançou o fundo do poço, foram 28 meses de recessão.

À época, o Brasil sofria os efeitos do choque internacional promovido pela crise do petróleo de 1979 e pela elevação das taxas de juros americanas, que saltaram de 8,7% (em 1978) para 17%, em 1981. Os juros altos encareceram a rolagem da dívida externa brasileira, questão que voltaria a trazer problemas entre fevereiro de 1987 e outubro de 1988, segundo o Codace, quando os 20 meses de recessão seguiram a moratória do passivo externo declarada pelo governo.

A partir de 1994 foram cinco períodos recessivos. O mais longo deles ocorreu entre outubro de 1997 e fevereiro de 1999, quando crises externas – na Ásia, em 1997, e na Rússia, em 1998 – se somaram à turbulências internas – a maxidesvalorização do real ocorrida em 13 de janeiro de 1999.

Desde então, os períodos de quedas mensais no PIB têm diminuído – e as expansões durado mais. De acordo com o estudo do Codace, divulgado ontem, nos últimos 30 anos os períodos de expansão duraram em média 28,7 meses.

Fonte: Valor Econômico / João Villaverde, de São Paulo