O UBS, um dos bancos mais duramente atingidos pela crise financeira, não concederá 300 milhões de francos suíços (cerca de US$ 322 milhões) de gratificação em dinheiro a seu pessoal mais graduado, depois do seu fracasso em atingir as metas internas de lucro – num claro sinal de como as reformas na remuneração estão impactando as carteiras dos executivos de bancos.

A exemplo de muitos bancos de grande porte, o UBS reformou a sua estrutura de gratificação para alinhar a remuneração mais estreitamente ao desempenho de longo prazo. Isso inclui a introdução de um sistema de "punição" (em oposição a gratificação) e permissão para o banco reaver pagamentos se os resultados ficarem aquém das metas.

Soube-se ontem que o UBS não desembolsará aproximadamente 300 milhões de francos suíços – praticamente 10% da sua reserva total de gratificações – aos funcionários do alto escalão porque o banco não conseguiu obter um lucro líquido para 2009, uma condição do seu chamado "plano de remuneração variável condicional" (CVPM, na sigla em inglês).

Oswald Grübel, o executivo-chefe do banco, disse que espera que os profissionais afetados, incluindo muitos dos executivos das faixas de renda mais elevadas, sejam "realistas" a respeito da remuneração, levando-se em consideração o clima altamente carregado. "Os salários e gratificações são politicamente influenciados e se tornaram um item público polêmico como nunca", disse Grübel aos empregados.

Pessoas bem informadas no UBS dizem que o fato de o plano não remunerar neste ano não veio como uma enorme surpresa, levando-se em consideração a luta contínua do banco para se recuperar de saídas de capital recordes do seu outrora poderoso banco de investimento e de mais de US$ 50 bilhões em depreciações relacionadas com créditos imobiliários de alto risco.

Um prejuízo líquido aproximado de 2 bilhões de francos suíços do UBS para o ano passado também pode ser imputado a uma despesa contábil que incide sobre o valor crescente da sua própria dívida.

O plano CVCP, anunciado em fevereiro passado, colocou de lado 900 milhões de francos suíços em dinheiro que seria pago em três parcelas iguais em 2010, 2011 e 2012, contanto que o grupo retornasse à rentabilidade segundo as normas contábeis européias e não recebesse nenhum socorro adicional do governo suíço.

O banco disse que a decisão de não desembolsar bônus neste ano não afetará as perspectivas para 2011, mas salientou que os valores provisionados não seriam acumulados.

 
Fonte: Financial Times / Haig Simonian e Megan Murphy, de Zurique e de Londres
(Publicado no Valor Econômico)