Depois de ampliar sua atuação para segmentos pouco explorados, como crédito corporativo e de veículos, a Caixa Econômica Federal se estrutura agora para diversificar também suas fontes de recursos. Seguindo a bem-sucedida captação externa feita pelo Banco do Brasil no início do ano, a Caixa iniciou estudos para colocação de títulos no mercado internacional pela primeira vez.

As conversas ainda são preliminares e não há volume ou prazo de maturação definidos, mas a ideia é que a operação saia no segundo semestre deste ano. "Queremos fazer ainda este ano, mas não temos expertise e a operação deve tomar mais de três meses para ser estruturada", diz Márcio Percival, vice-presidente da instituição.

A Caixa também espera apenas a regulamentação, por parte do Conselho Monetário Nacional, do novo instrumento de captação no mercado local para bancos, a letra financeira, para iniciar a captação com esse novo tipo de funding. De acordo com Percival, já há consultas na tesouraria do banco de investidores demandando esse papel.

O novo título, que se assemelha a uma debênture, terá prazos superiores a cinco anos e deve preencher uma lacuna do mercado bancário brasileiro, que é a falta de papéis longos para financiar investimentos. Além disso, deve ser uma alternativa ao BNDES.

A expectativa é que em março esse tipo de emissão já esteja rodando, mas Percival ressalta que ainda não se sabe as condições em que as letras vão à mercado. "A referência de taxa que temos hoje no mercado é o DI futuro (negociado na BM&F), que está pagando um prêmio absurdo que não vai se concretizar", disse Percival, em coletiva de imprensa para divulgação de resultados do banco.

A instituição federal encerrou o quarto trimestre do ano com lucro líquido de R$ 972 milhões, alta de 57,4% em relação ao mesmo período de 2008. No acumulado do ano, o lucro líquido ficou em R$ 3 bilhões, 23% abaixo dos R$ 3,9 bilhões do calendário anterior. A carteira de crédito do banco fechou com saldo de R$ 124,4 bilhões, com expansão de 55,3% em relação ao ano anterior.

No início do ano, a demanda se mantém aquecida. As concessões imobiliárias, até o dia 9 de fevereiro, somavam R$ 5,4 bilhões, alta de 116%. Já no segmento de empresas, há aproximadamente R$ 5 bilhões em pedidos de capital de giro na mesa de negociação de Brasília aguardando aprovação.

 
Fonte: Valor Econômico / Fernando Travaglini, com colaborçaão de Karin Sato