Cerca de 84% das fortunas de cidadãos europeus depositadas em bancos suíços não seriam declaradas às autoridades fiscais de seus países de origem. O montante da evasão fiscal chega à astronômica soma de US$ 725 bilhões, do total de US$ 862 bilhões de depósitos europeus nos cofres helvéticos. A soma seria mais do que suficiente para socorrer os países em plena crise do endividamento no velho continente.

As cifras "conservadoras" da evasão fiscal são reveladas num estudo do analista Peter Thorne, da empresa financeira Helvia ligada ao banco privado Pictet, de Genebra, ao qual o Valor teve acesso, podendo aumentar a pressão pelo desmantelamento progressivo do segredo bancário suíço, já em estado calamitoso.

Thorne não fez estimativas sobre o montante de dinheiro de latino-americanos depositados nos bancos suíços. Mas seria bem maior do que os US$ 44 bilhões depositados por cidadãos dos EUA. E quanto maior é a economia informal no país, como é o caso do Brasil, menos seus cidadão declaram ao fisco seus depósitos no exterior.

Em geral, as contas em bancos suíços detidas por não residentes não são taxadas. A exceção é justamente quem é originário da União Europeia. É isso que permite uma estimativa da evasão fiscal, cruzando dados do Banco Central Suíço, do Ministério das Finanças e alguns detalhes que os bancos às vezes fornecem sobre sua gestão de fortunas.

Assim, sem surpresa, os maiores montantes da evasão fiscal são originários da Alemanha, Itália e França, os países que mais pressionam a Suíça a dar informações sobre contas de seus cidadão em bancos helvéticos. Os EUA fazem muito barulho, mas o capital de seus cidadãos representaria apenas 5% do total, comparado a 50% do lado europeu.

Os alemães teriam US$ 193 bilhões de dinheiro não declarado nos bancos suíços e outros US$ 87 bilhões declarados. Já os italianos não declaram quase nada: US$ 185 bilhões são pura evasão fiscal, enquanto só US$ 1,9 bilhão está legal com o fisco. A situação dos franceses é idêntica : US$ 91 bilhões escondidos nos cofres suíços e apenas US$ 2,8 bilhões que revelaram os depósitos ao imposto em Paris.

A Grécia está próxima da falência pura e simples, mas cidadãos gregos têm US$ 24 bilhões escondidos em cofres suíços. A Espanha, tambem sob pressão, tem US$ 50 bilhões, dos quais apenas US$ 1,5 bilhão declarados ao imposto em Madri.
 
Fonte: Valor Econômico / Assis Moreira, de Genebra