O Credit Suisse resolveu ampliar mais suas apostas na área de gestão de fundos, informa o presidente do banco no país, Antonio Quintella. "Com a tendência de queda nos juros, os investidores vão buscar alternativas mais rentáveis de investimento e de mais longo prazo do que o tradicional fundo DI."

A idéia, segundo ele, é criar opções para esse investidor que "precisa alongar seu horizonte de investimento". A montagem e gestão de fundos de crédito será prioridade, assim como de fundos de ativos ilíquidos, que podem ser de ações ou crédito. Podem ser usados também papéis híbridos, como debêntures conversíveis, ou ainda títulos de financiamento imobiliário, entre outros. Para isso, o banco deslocou para a área de gestão de recursos especialista em crédito do banco de investimento, Marcelo Saad, e também Bruno Szwarc, que vai se debruçar sobre outras classes de ativos ilíquidos.

Em outubro, conforme adiantou o Valor, o banco já lançou em conjunto com o Santander um fundo inovador, um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) batizado de Crédito Corporativo Brasil. Ele servirá para dar crédito de longo prazo a grandes corporações nacionais. O primeiro lote do fundo, que seria inicialmente de R$ 2,9 bilhões, foi reduzido para R$ 1 bilhão, segundo comunicado ao mercado. Quintella não quis comentar sobre o andamento desse fundo, pois alegou estar em período de silêncio.

Na verdade, o maior investimento do Credit Suisse em gestão de recursos de terceiros e o primeiro na área de private banking (administração de fortunas de pessoas físicas) foi a compra da Hedging-Griffo, no final de 2006, por R$ 635 milhões. Desde então, os recursos totais sob administração do banco passaram de US$ 11 bilhões para US$ 24,1 bilhões. "Nossa aposta nesse setor foi acertada e o potencial de crescimento ainda é muito grande", diz. "Temos uma plataforma realmente aberta e oferecemos também fundos de terceiros a nossos clientes."

Com esse crescimento, segundo Quintella, o Credit Suisse no Brasil já é hoje um dos maiores gestores de fundo de hedge dos países emergentes, senão o maior. O executivo tem agora acesso a mais parâmetros para comparação: acaba de assumir como corresponsável pelo recém-criado Conselho de Mercados Emergentes do Credit Suisse, junto com o russo Fawzi Kyriakos-Saad. O conselho tem 20 integrantes, dos quais 7 representantes de regiões do banco – México, Brasil, Rússia, Oriente Médio, China, Índia e Indonésia- e responsáveis por produtos.

"Nesta fase do sistema financeiro internacional, o capital está escasso e caro e precisamos definir prioridades de atuação nos emergentes", afirma. O comitê, que vai se reportar diretamente ao comitê executivo do banco, vai trocar experiências em estratégia de gestão e melhores práticas, além de definir oportunidades de negócios, de forma a dar "mais consistência à atuação do banco nos emergentes". Visa ainda ajudar a conectar clientes e o pessoal do próprio banco e definir inclusive limites de capital.

Quintella continua como presidente do banco no Brasil, mas deixa, no entanto, de acumular a responsabilidade pela divisão de banco de investimento no país. A mudança gerou muita especulação no mercado, inclusive de que o executivo estaria saindo do banco. "Vou ficar mais tempo no avião e precisava reduzir o número de pessoas que reportavam para mim no Brasil", justifica Quintella. Eram 20 pessoas e agora serão 13. A chefia da área de banco de investimento agora passa a ser dividida por José Olympio Pereira, ex-responsável pela área de finanças corporativas, e por Marcelo Kayath, ex-responsável pela área de vendas e pesquisa de renda variável.

 
Fonte:  Valor Econômico / Cristiane Perini Lucchesi