O executivo-chefe do Royal Bank of Scotland (RBS), Stephen Hester, abrirá mão de sua bonificação relativa a 2009, em meio à crescente pressão para que o banco britânico deficitário, sob controle estatal, mostre mais humildade diante da persistente reação populista contra os executivos bancários.

Segundo pessoas próximas a Hester, o executivo espera que o gesto seja visto como parte dos esforços para "despolitizar" a questão das bonificações no Royal Bank of Scotland e ajude a abrir caminho para que o governo do Reino Unido aprove os planos do banco para pagar bônus condizentes com o "valor comercial" a seus principais executivos de banco de investimento.

A decisão de Hester de desistir da bonificação, que poderia chegar a mais de 1,6 milhão de libras esterlinas (aproximadamente US$ 2,5 milhões), como parte de um pacote potencial de remuneração total de quase 10 milhões de libras – segue-se a anúncios similares tomados, na semana passada, pelos chefes do também britânico Barclays, o executivo-chefe, John Varley, e o presidente, Bob Diamond, também abriram mão dos bônus relativos a 2009 numa tentativa de conter a grita generalizada contra a remuneração dos executivos de bancos, depois que a maior parte deles recebeu algum tipo de socorro com dinheiro dos contribuintes.

A renúncia aos bônus aumentará ainda mais a pressão sobre Eric Daniels, homólogo de Hester no Lloyds Banking Group, que ainda não fez declarações sobre suas bonificações.

Na noite desta segunda-feira, em Londres, o banco informou apenas que "nenhuma decisão sobre os bônus foi tomada por nosso comitê independente de remuneração".

O Tesouro do Reino Unido e a empresa do governo responsável por suas participações em bancos, a UK Financial Investments, devem decidir nesta semana se aprovam as propostas de distribuição de bônus do RBS e Lloyds. O governo possui participações de 70% no RBS e de 41% no Lloyds.

"Ele fará o que for necessário para assegurar o futuro comercial do banco", disse uma pessoa próxima a Hester.

O RBS planeja pagar a seus executivos cerca de 1,3 bilhão de libras em bonificações, um dos menores programas de bônus em comparação aos bancos rivais. Caso o governo aprove o plano, o banco pagaria a seus executivos de banco de investimento 28% da receita, em comparação às proporções de 30% a 40% de vários concorrentes, segundo pessoas a par dos planos da instituição financeira.

Fontes próximas ao Tesouro sinalizaram, ontem à noite, que essas propostas seriam aprovadas pelo governo, embora tenham descrito a renúncia dos bônus por Hester como algo que colaborou e não como algo determinante.

Executivos de banco acreditam que o governo deverá aguardar amanhã, o dia anterior ao anúncio dos resultados anuais do RBS, antes de autorizar formalmente o plano de bonificações do banco.

Hester enfrentou uma escalada nas pressões políticas antes de abrir mão dos bônus. O secretário de Negócios do governo britânico, Peter Mandelson, sinalizou o nível de desconforto nas altas esferas governamentais quando pediu a Hester para esperar por sinais mais concretos da recuperação do RBS antes de traçar pagamentos ligados ao desempenho no trabalho.

Fonte: Financial Times /  Patrick Jenkins e Alex Barker, de Londres