Eric Daniels, executivo-chefe do Lloyds Banking Group, cedeu, ontem, a crescentes pressões e renunciou a seu direito a 2,33 milhões de libras (US$ 3,6 milhões) em gratificações referentes a 2009, tornando-se o quarto CEO de um grande banco a fazê-lo.

No entanto, o banco permanece num impasse em tumultuadas negociações com os investidores sobre planos para aumentar em mais de um terço o valor potencial das gratificações de longo prazo beneficiando Daniels. Segundo acionistas, o presidente do Lloyds, Win Bischoff, está buscando apoio para aumentar o valor máximo de longo prazo do plano de incentivos a Daniels – de um máximo de 200% do salário para 275%, ou 2,85 milhões de libras.

O Lloyds disse que sua diretoria tinha autorizado a gratificação anual de Daniels em reconhecimento ao "progresso significativo" que o banco havia feito para reabilitar-se após o seu socorro ao HBOS, mas elogiou sua decisão de abrir mão do prêmio.

A renúncia acompanha decisões similares de John Varley e Bob Diamond, respectivamente executivo-chefe e presidente do Barclays, na semana passada, e de Stephen Hester, executivo-chefe do Royal Bank da Escócia, no domingo.

Comenta-se que o HSBC, cujo comitê de remuneração também reuniu-se ontem, não está "imune ao que está acontecendo", de acordo com um pessoa próxima ao banco.

Segundo banqueiros e conselheiros, o Lloyds ficou sob pouca pressão de investidores quanto à gratificação anual – ou mesmo do governo, que controla 41% do banco -, embora o Tesouro tenha anunciado ontem à noite: "Estamos satisfeitos com que os banqueiros estão respondendo às preocupações do público".

O estoque de recursos reservados para gratificações aos executivos bancários que operam com investimentos no Lloyds é comparativamente pequeno, pelos padrões da City londrina, totalizando cerca de 200 milhões de libras.

A decisão de Daniels foi anunciada antes da divulgação dos resultados anuais do Lloyds, esperada para sexta-feira, quando o banco deverá anunciar um prejuízo (exclusive itens excepcionais) de cerca de 13 bilhões de libras.

Fonte: Financial Times / Patrick Jenkins e Kate Burgess