O Banco do Brasil criou um novo paradigma na economia brasileira ao ampliar o crédito e cobrar juros mais baixos, afirmou ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao comentar o lucro recorde de R$ 10,15 bilhões da instituição em 2009. Para ele, os bancos privados terão de seguir o mesmo caminho. "Cada vez mais vão ter de emprestar mais e a taxas menores porque, se não, estarão perdendo para o concorrente."

O ministro disse que o maior lucro da história da instituição federal é a prova de que essa política foi "eficiente", "sustentável" e "salutar". "Esse resultado é muito importante porque o BB foi um dos principais baluartes da política anticrise adotada pelo governo em 2009."

Para combater os efeitos da crise financeira internacional na economia brasileira, desde o fim de 2008 o governo orientou as instituições federais a expandir o crédito. Segundo Mantega, de setembro de 2008 a janeiro passado, as instituições públicas, entre elas Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), tiveram aumento de 48% na oferta de crédito. No mesmo período, o crescimento nas instituições privadas foi de 11,3%. "É nítido o papel dos bancos públicos nesse segmento."

De acordo com o ministro, os números mostram que é possível fazer uma política anticíclica com "um resultado profissional", e o Banco do Brasil é um exemplo de como o setor público deve atuar na economia brasileira. "Não estou aqui pregando que os bancos tenham lucros elevados, só estou dizendo que é possível ter lucros elevados fazendo uma ação econômica positiva para o País."

No auge da crise, insatisfeito com o aumento das taxas de juros, Mantega substituiu o presidente do Banco do Brasil e determinou ao novo dirigente, Aldemir Bendine, que liderasse o processo de ampliação da oferta de crédito e redução dos juros. Na época, foi criticado pela interferência na gestão do banco, que tem ações em bolsa e parte do capital nas mãos de acionistas minoritários.

Ontem, Mantega lembrou que o BB foi a instituição financeira que mais repassou ao mercado recursos do BNDES no ano passado, cerca de R$ 12,3 bilhões. O BB também liderou o mercado de câmbio em 2009, negociando US$ 47 bilhões em várias modalidades de crédito.

Em agosto de 2009, Mantega chegou a dizer que os bancos privados iriam "comer poeira" se não seguissem o exemplo dos bancos públicos, aumentando o crédito e reduzindo os juros. Ontem, ironizou: "Acho que não estão comendo poeira, porque está chovendo muito". Ele admitiu, no entanto, que as instituições privadas estão mais ousadas. "Eu acredito que teremos um equilíbrio entre setor privado e setor público."

Enquanto o ministro exaltava o "excelente" resultado do BB, as ações da instituição recuavam 2% na Bolsa de Valores. Mantega disse que a volatilidade do mercado é normal. "O fato é que o Banco do Brasil teve o maior lucro da história e vai distribuir dividendos maiores aos acionistas." O banco vai repassar 40% do lucro do quarto trimestre como remuneração aos acionistas.

Fonte: O Estado de São Paulo /  Renata Veríssimo, Célia Froufe