sábado, agosto 8, 2020
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HSBC elitiza atendimento e provoca fechamento de agências

O que muitos sindicalistas já previam está se confirmando: o HSBC está apostando na segmentação e mirando nos clientes de alta renda. Desde 2008 vinha acontecendo um processo de fechamento de agências que eliminou muitos postos de trabalho. Em geral, as unidades fechadas ficavam nos subúrbios dos grandes centros e em municípios mais pobres, na periferia das grandes cidades ou no interior. Ao mesmo tempo, novas unidades para o segmento Premier, de alta renda, eram abertos em bairros mais abastados.

O reposicionamento de mercado do HSBC está em curso de maneira mais incisiva. Entre dezembro de 2009 e fevereiro de 2010 foram abertas 19 agências Premier em todo o país, num investimento aproximado de R$ 20 milhões, segundo informações do próprio banco. Mas o fechamento de unidades consideradas menos lucrativas continua. Em Uberlândia, cidade rica do interior mineiro, foi aberta em janeiro uma unidade Premier, com a presença de Odair Dutra, diretor da rede de agências. Enquanto isso, a pequena cidade de Guaxupé, na divisa com São Paulo, perdeu sua unidade do banco, fechada no final de fevereiro.

Para onde vão os bancários?

O HSBC vai encerrar a carteira Super Class, de clientes pessoa física com renda entre R$ 1 mil e R$ 2,5 mil. Os gerentes de relacionamento que atendem a estes correntistas não sabem o que o futuro lhes reserva. Mas o banco já anunciou que vai contratar no mercado cerca de 150 gerentes para os segmentos Advanced, para renda entre R$ 4 mil e R$ 7 mil, e Premier, com renda acima de R$ 7 mil.

"Há agências grandes com seis, até mais gerentes RM para atender clientes Super Class. Vão contratar 150 profissionais de fora, mas não sabem o que vão fazer com os da casa", compara Renata Soeiro, representante da Feeb RJ/ES na Comissão de Organização dos Empregados do banco (COE HSBC).

No mundo todo

A segmentação do HSBC não se resume ao Brasil. Desde meados da década o banco vem realizando em todo o mundo o processo de fechamento de agências de menor porte, principalmente em cidades mais afastadas. Matérias publicadas por jornais ingleses em 2005 e 2007 relatam o desapontamento da população do interior da Inglaterra, país-sede da empresa. Assim como aqui, em muitas destas comunidades havia somente uma agência e o fechamento da unidade do HSBC obrigou a população a longas jornadas até o município vizinho para realizar operações bancárias.

Nem o consignado

Outro movimento que se podia sentir era a transformação das agências tradicionais em espaços compartilhados com a financeira Losango, que passou a receber contas e realizar outras operações bancárias além da concessão de crédito. O banco chegou a apostar num modelo de agência sem guichês de caixa, que funcionava apenas com um gerente e caixas de autoatendimento. No espaço ao lado ou nas proximidades havia sempre uma Losango para onde eram direcionados os clientes que não queriam ou não podiam realizar operações nos caixas eletrônicos. Nas unidades tradicionais, mesmo dispondo de guichês de caixa para atender a população, os bancários do pré-atendimento instruíam os clientes e usuários a buscar a unidade mais próxima da Losango para realizar algumas operações.

Mas nem a Losango resistiu à onda elitizadora do HSBC. Estão sendo fechadas unidades da financeira em todo o país. No estado do Rio de Janeiro, há somente 11 lojas da Losango em funcionamento, em seis municípios: Campos, Niterói, Nova Friburgo, Nova Iguaçu, Niterói e Petrópolis, com uma unidade cada, e a capital, com seis. Além de diminuir as operações de valores menores, a redução da rede também faz encolher o segmento de crédito consignado, que garantiu crescimento para muitas instituições financeiras.

"Esse processo de elitização do atendimento aumenta ainda mais a insatisfação dos funcionários, cuja maioria recebe um dos piores salários do mercado enquanto alguns ganham verdadeiras fábulas", diz Sérgio Siqueira, diretor da Contraf-CUT e fucnionário do banco inglês. "Se o banco pretende focar a elite da clientela, deveria em primeiro lugar dar um tratamento de elite aos seus funcionários, pagando salários dignos para todos e melhorando as condições de trabalho", sustenta.

Fonte: Feeb RJ/ES