A operação que pode dar o controle do IRB-Brasil Re ao Banco do Brasil será um passo essencial para que a resseguradora alcance os objetivos de manter a liderança no mercado nacional e busque participação em projetos de países da América Latina a partir de 2011. A afirmação foi feita pelo presidente do IRB, Eduardo Nakao, que acredita no sucesso da negociação entre Tesouro e Banco do Brasil ainda neste ano.

Nakao, que participou de mesa redonda sobre o setor de resseguros organizada pela Câmara de Comércio França-Brasil, ressaltou que a entrada do BB no capital do IRB criará uma estrutura verticalizada, com a construção de sinergias que possibilitarão mais oportunidades de negócios. "No futuro próximo o IRB vai ser uma empresa do conglomerado Banco do Brasil. Aí sim vamos ter uma resseguradora, seguradora, banco de investimento, banco comercial e um rol de produtos para oferecer para a clientela", frisou Nakao.

Uma vez concretizada a entrada do BB no capital – hoje o IRB tem 50% do seu capital nas mãos do Tesouro e outros 50% sob comando de seguradoras -, a resseguradora deverá colocar em prática a internacionalização para projetos na América Latina, inicialmente nos setores de garantia e engenharia. Segundo Nakao, a consolidação da liderança no Brasil e a internacionalização para a América Latina são as duas principais metas do plano de ação do IRB até 2013.

No ano passado, até novembro, o IRB respondeu por R$ 2,585 bilhões em prêmios, o equivalente a 78% do mercado ressegurador brasileiro. No total, os R$ 3,316 bilhões em prêmios cedidos pelas cinco resseguradoras locais no Brasil representaram a maior fatia dos R$ 3,941 bilhões do total de prêmios de todo o setor no país.

Desde a abertura do mercado, em 2008, as cinco resseguradoras registradas na Superintendência de Seguros Privados (Susep) como locais – IRB, Munchener Runk, J. Malucelli, Mapfre e XL – têm a preferência na hora em que os contratos são oferecidos. Fatias menores dos resseguros ficam com as resseguradoras admitidas e eventuais.

Nakao disse ainda que – pela projeção de crescimento da economia brasileira e pela expectativa de novos projetos de grande porte no país, envolvendo a exploração do pré-sal, as grandes hidrelétricas e eventos como a Copa do Mundo e a Olimpíada – as resseguradoras atualmente cadastradas na Susep não teriam condições de cobrir todos os riscos projetados. Para isso, o IRB já procura parceiros ainda não registrados no país para obter capacidade adicional.

Fonte: Valor Econômico / Rafael Rosas, do Rio