Dieese apresenta resultado da pesquisa nacional da Contraf-CUT

Tanto a pesquisa nacional realizada pelo Dieese quanto a consulta feita pelos sindicatos em todo o país mostram que, para a campanha nacional 2011, os bancários querem aumento real de salário, PLR maior, aumento do piso salarial, fim das metas abusivas e do assédio moral, garantia de emprego e mais contratações. A pesquisa e a consulta também apontaram um dado preocupante: a grande quantidade de bancários adoecendo com o trabalho e usando remédios controlados.

Na pesquisa realizada pelo Dieese foram entrevistados 1.882 bancários em dez capitais brasileiras (Brasília, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Curitiba). Os trabalhadores foram abordados no próprio local de trabalho e distribuídos por amostras, de acordo com o percentual representativo de bancários em cada cidade.

Já a consulta foi coordenada pela Contraf-CUT e realizada por meio de questionários distribuídos pelos sindicatos em suas bases. Um total de 21.329 questionários foram respondidos.

"As consultas são importantes não apenas para conhecermos as expectativas, mas também para dialogar diretamente com os bancários", afirma Marcel Barros, secretário-geral da Contraf-CUT.

Aumento real e PLR maior

Entre as principais reivindicações dos bancários, apontadas pela pesquisa do Dieese, estão o aumento real de salário e do piso salarial. A grande maioria dos bancários (67%) quer um aumento salarial acima da inflação e 43% elegeram como segunda prioridade da Campanha Nacional 2011 o aumento do piso salarial da categoria.

Na consulta da Contraf-CUT, a maior parte dos bancários, 41% (16.401), apontam o aumento real do salário como principal prioridade nas reivindicações da Campanha Nacional 2011. A segunda prioridade apresentada pelos trabalhadores é a ampliação do piso salarial (20%), seguido pelo PCS (13%) e pelo 14º salário (13%).

Na remuneração variável, a melhoria da PLR deve ser uma das principais reivindicações da Campanha 2011 para 85% dos bancários, na pesquisa do Dieese e 51% na Consulta realizada pela Contraf-CUT.

Garantia de emprego

A pesquisa e a consulta apontam também a preocupação dos bancários na garantia dos empregos. Na consulta, 27% querem a aplicação da Convenção 158 da OIT, que dificulta a demissão imotivada. Além disso, 25% querem mais contratações, 11% fim da terceirização, 17% jornada de 6 horas para todos, 14% igualdade de oportunidade e 7% dois turnos de atendimento.

Já a pesquisa do Dieese mostra que metade dos bancários (50%) considera a garantia de emprego como item importante para ser reivindicado. Ao mesmo tempo, 31% dos que responderam a pesquisa desejam o fim da rotatividade de emprego, com maiores garantias dos bancos na manutenção dos empregos.

Número de adoecimentos é alarmante

É alarmante o número de bancários que disseram, tanto na consulta quanto na pesquisa, ter adoecido em função do trabalho. Nos questionários da consulta, respondidos por um universo de 21.329 bancários, 19% afirmaram que já tinham se afastado do emprego por motivos de doença, um total de 4.983 trabalhadores; e 17% disseram tomar algum tipo de remédio controlado, ou seja, 4.603 bancários.

Entre os 1.882 bancários ouvidos na pesquisa, 52% afirmaram já ter adquirido alguma doença por causa do trabalho. Desses, 17% afirmaram que tiveram que se afastar do emprego por causa da doença, e 34% responderam que não se afastaram apesar de terem adoecido. Ou seja, a grande maioria dos adoecidos continuou trabalhando.

Entre os tipos de doenças adquiridas, relacionadas pelos entrevistados da pesquisa, 39% disseram ter tido alguma doença do grupo "stress, cansaço físico, tensão e depressão"; 28% disseram ter tido "enxaquecas e dores de cabeça"; 19% apontaram "problemas no sistema digestivo"; 13% "lombalgias e dores nas costas"; 10% apontaram "LER/Dort e tendinite"; 8% disseram ter tido "varizes e dores nas pernas"; as demais doenças, que variaram em percentuais de 6% a 2%, foram "diabetes, hipertensão e problemas cardíacos", relacionadas em um só grupo, e mais problemas nos olhos, alergias, problemas respiratórios e problemas auditivos.

"Não é à toa que o combate ao assédio moral e o fim das metas abusivas foram considerados prioridades na consulta e na pesquisa", diz Marcel Barros.

Metas e assédio, um só problema

Na pesquisa, o combate ao assédio moral e o fim das metas abusivas, que foram considerados um só item, é uma das três prioridades para 30% dos entrevistados. Quando os bancários foram questionados especificamente sobre o tema "Saúde, Condições de Trabalho e Segurança", o combate ao assédio e às metas abusivas aparece como prioridade número 1 para a grande maioria: 62%.

Ao responderem à parte da consulta sobre saúde e condições de trabalho, 33% apontaram o fim das metas abusivas como prioridade nesta área, e 30% escolheram o combate ao assédio moral. Ou seja, um 63% apontaram os dois problemas, que estão diretamente relacionados, como prioridade das reivindicações de saúde. As demais reivindicações apontadas como prioridades foram: adicional de risco de vida, escolhida por 14% dos consultados; seguro contra assalto e seqüestro, apontado por 12%; e isonomia aos afastados, que foi considerada prioridade para 10% dos que responderam ao questionário da Contraf.

Maioria tem até 10 anos de banco

Em relação ao tempo de trabalho em bancos, 58% dos que responderam à consulta da Contraf-CUT possuem até 10 anos de trabalho no ramo. O dado é similar ao apresentado na pesquisa elaborada pelo Dieese, 54% dos entrevistados têm entre 5 e 10 anos de trabalho nos bancos.

 
Fonte:  Rede de Comunicação dos BancáriosAndéa Ponte Souza, Cícero Pamplona Bittencourt e Renata Bessi