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Os bancários estão indignados com a postura da Procon Estadual da Paraíba, que não tem competência para exigir o cumprimento da oferta de 30% dos serviços essenciais durante o período de greve, nem garantir uma reserva de funcionários para atender os clientes. Até mesmo porque, a Lei de Greve considera apenas a compensação como serviço essencial. E a categoria já vem cumprindo essa exigência.

Para o presidente do Sindicato dos Bancários da Paraíba, Marcos Henriques o Procon Estadual está equivocado, extrapolou sua competência e está prejudicando a greve constitucional dos bancários, que cumpriram todos os trâmites legais para se contrapor à ganância e prepotência dos banqueiros. “O Procon Estadual, que durante todo o ano não tem cumprido a contento suas atribuições, agora vem dar uma de ‘herói’, se aliando aos bancos, prejudicando os bancários e enganando os consumidores, pois os bancários estão em greve; portanto, não tem quem processe os depósitos”, ressaltou.

As medidas tomadas durante a reunião desta sexta-feira, 7 de outubro, no Procon Estadual, não têm nenhuma validade, haja vista que não compete ao órgão intervir em uma greve, que nada mais é do que o confronto entre patrões e empregados. Portanto, trata-se de uma questão meramente trabalhista e deve ser tratada com tal.

“Agindo dessa forma, o Procon Estadual, que não consegue no dia-a-dia fazer com que os bancos respeitem os clientes e usuários dos serviços bancários, está dando munição para que o confronto se prolongue e a população sofra ainda mais. E o que é ainda mais grave, ao garantir dinheiro nos caixas eletrônicos e o recebimento de depósitos, o órgão de defesa do consumidor está sendo leviano e iludindo a quem deveria proteger”’, concluiu Marcos Henriques.

Os representantes dos bancos ficaram tão felizes com o posicionamento equivocado do Procon – PB que, tão logo terminou a reunião, anunciaram que a greve tinha acabado no Bradesco e no Santander. O que não é verdade.

O Bradesco conseguiu uma liminar para fazer funcionar uma agência, através de um Interdido Proibitório, que está sendo contestada pelo Sindicato. E o Santander teve deferida uma liminar, mas o presidente do Sindicato ainda não foi citado, pois estava apoiando a greve nas agências do interior do Estado, motivo pelo qual não pode comparecer a essa reunião convocadada pelo Procon Estadual.

A diretoria do Sindicato dos Bancários estranhou os motivos pelos quais a Procuradoria de Defesa do Consumidor (Procon) Estadual convocou a Entidade para essa reunião. A convocação foi assinada pela secretária executiva do órgão, Klébia Ludgério, cuja nomeação da mesma está sub judice, devido a uma ação popular movida por um defensor público, com base no artigo 141, da Constituição do Estado da Paraíba, e no artigo 27, que trata das disposições transitórias na mesma Constituição.

Todos esses fatos levam os bancários aos seguintes questionamentos:

  • Por que o Procon foi tão ágil e eficiente em convocar uma categoria profissional em greve e é tão ineficiente na exigência do cumprimento da Lei das Filas; filas que submetem os consumidores à humilhação, pelo descaso daqueles que ganham tanto dinheiro às suas custas, que são os bancos?
  • Por que o Procon Estadual não faz valer suas prerrogativas e exige a colocação das portas giratórias com detectores de metal nas agências, para coibir a ação dos bandidos contra a população?
  • Por que o Procon Estadual da Paraíba não começa a atuar contra a cobrança de taxas e tarifas extorsivas, protegendo os consumidores da ganância desenfreada dos banqueiros?
  • A greve dos bancários, assim como a exigência de quadros para o processamento dos serviços essenciais são inerentes às relações de trabalho e não às relações com os consumidores. Portanto, não compete ao Procon Estadual da Paraíba intervir nessas questões.

Os bancários não podem nem devem pagar uma conta que é devida pelos banqueiros brasileiros, que ganham um outro banco a cada dois anos, fruto da exploração dos funcionários, clientes e usuários.

Portanto, a greve continua!