Enquanto a palavra crise norteia significativa parcela do sistema financeiro internacional, os bancos brasileiros navegam em um céu de brigadeiro. Somente no primeiro semestre do ano, o lucro cresceu 20% entre as sete maiores instituições, com ganhos que ultrapassam os R$ 26 bilhões.
 

Públicos ou privados, a situação é comum, com rendimentos elevados, aumento nas remunerações de altos executivos, mas baixos índices de respeito e compromisso com usuários, clientes e funcionários.

De fato, esses grupos não realizam a inclusão bancária, que envolve acesso ao crédito e o direito dos brasileiros de terem conta em banco, sem discriminação de qualquer espécie.

Dados do Banco Central revelam que, dos 5.587 municípios do País, 35,3% não possuíam nenhuma agência e posto de atendimento bancário em 31 de julho último. E do total existente, mais da metade estão concentrados no Sudeste (54,7%). No Nordeste, há 51,95% de municípios sem agência ou posto de atendimento. Um total de 52,6% dos nordestinos, ou 40% dos brasileiros, não possui conta em banco.

Neste ano, os banqueiros ofereceram 0,56% de ganhos reais aos seus funcionários. Desrespeito que teve reação. Os bancários estão na maior greve dos últimos 20 anos, com adesão em massa. Os trabalhadores e trabalhadoras pedem 5% de ganho real, aumento na participação dos lucros e resultados, mais contratações, fim das metas abusivas, combate ao assédio moral e um atendimento mais cuidadoso aos clientes. Os bancários estão abertos à negociação. Agora, o fim da paralisação está nas mãos dos bancos.

Não é demais que um dos setores mais rentáveis da economia tenha a obrigação de valorizar seus funcionários, gerar mais e melhores empregos, ampliar o acesso aos serviços e reduzir as desigualdades sociais e regionais, contribuindo efetivamente para o desenvolvimento do Brasil. A greve é, portanto, de todos nós.

Fonte: O Povo Online – Fortaleza/CE