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Em plena greve, banqueiros preferem fazer festa a negociar com bancários

Em vez de retomarem as negociações com os bancários, os banqueiros preferiram realizar um megaevento no Parque da Cidade, em Brasília, no domingo (9), 13º dia da paralisação nacional da categoria, numa clara provocação aos trabalhadores em greve.

Intitulado ‘Caravana Meu Bolso em Dia’, o evento, supostamente destinado à educação financeira de usuários e clientes do sistema financeiro, contou com show do cantor Latino, que, em média, cobra cachê de R$ 90 mil. Em greve desde 27 de setembro, bancários, juntamente com o Sindicato dos Bancários de Brasília, marcaram presença no local e protestaram contra o descaso das instituições financeiras.

À imprensa, a Febraban disse que o atendimento dos estandes estava sendo realizado por bancários voluntários. A informação, porém, foi desmentida pelos próprios profissionais que trabalhavam ali. Segundo o Sindicato apurou, a federação contratou uma empresa de publicidade de São Paulo para realizar o evento.

Para o Sindicato, a realização de um evento dessa natureza, fazendo propaganda dos bancos, é uma afronta ao movimento. "É muito cinismo da Fenaban convocar, em plena greve dos bancários e ainda num domingo, terceirizados para trabalhar num evento como esse. Estamos aqui para mostrar à população que os bancos são os grandes responsáveis pela paralisação dos bancários. Nossa pauta inclui mais contratações, fim das filas, redução das taxas de juros e aumento do crédito, mais segurança nas agências, reivindicações que também dizem respeito aos clientes e usuários", afirma o diretor do Sindicato Jeferson Meira, acrescentando que a manifestação do Sindicato recebeu o apoio dos presentes.

Vestidos com camisas da greve e segurando faixas, bancários distribuíram panfletos e explicaram à população os motivos da paralisação, que completa 15 dias nesta terça-feira (11). "Os bancos deveriam ter vergonha de festejar em plena greve dos bancários, que já é a maior dos últimos 20 anos. Continuamos firmes e fortes na paralisação e esperamos que a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) volte a dialogar com os trabalhadores", observa o diretor do Sindicato Wadson Boaventura.

Também participaram do protesto a delegada sindical Simone Maciel e a secretária de Assuntos Jurídicos e de Saúde do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Região Integrada de Desenvolvimento do Entorno (Sintraf-Ride), Christianne Rodrigues.

"Quanto mais tempo a Fenaban permanecer em silêncio, mais forte será a nossa greve", observa Christianne. "Assim como fez a ‘Caravana Meu Bolso em Dia’, a Fenaban também devia arrumar o bolso dos bancários", acrescenta, numa alusão à reivindicação de aumento real pela categoria.

Festa em vez de negociação

Além de não negociarem com os bancários desde 23 de setembro, os bancos fazem festa para tentar esconder da população sua postura intransigente com seus funcionários. A Febraban não poupou dinheiro: sorteou computadores e máquinas fotográficas, distribui milhares de brindes para adultos e crianças, contratou artistas fantasiados e montou uma grande estrutura no Parque da Cidade para tentar ‘comprar’ a população.

"Na verdade, os clientes acabam pagando por este tipo de evento, através das tarifas exorbitantes cobradas pelos bancos", denuncia Jeferson Meira, diretor do Sindicato.

É a Fenaban, braço sindical da Febraban, que negocia com o Comando Nacional dos Bancários.

Fonte: Seeb Brasília