Greve ganha mais adesão a cada dia e pressiona federação dos bancos – Os bancários de São Paulo, Osasco e região têm milhares de companheiros na luta para conquistar uma nova proposta da federação dos bancos (Fenaban) e que contenha aumento real nos salários, PLR maior, valorização nos pisos e melhores condições de trabalho.  Em todo o país, a greve tem se intensificado numa demonstração de força dos trabalhadores diante da intransigência patronal.

Em Pernambuco, 70% das 543 agências e todos os centros administrativos tiveram paralisações. “A cada dia a greve aumenta, já que os bancos não deram nenhum sinal de que retomarão as negociações”, explica Jaqueline Mello, presidenta do sindicato pernambucano. Ela destaca um movimento que tem ganhado força pelo país: a participação dos funcionários dos bancos privados. “Já é a maior participação dos bancos privados da história. Isso demonstra que os bancários estão muito insatisfeitos com as condições de trabalho impostas pelos bancos.”

No Paraná, Otávio Dias, presidente do sindicato de Curitiba, avalia a greve como positiva. “No primeiro dia de greve paramos 114 agências em nossa cidade, hoje já foram 310. Em todo o Paraná, 700. Isso demonstra que cada vez mais a categoria está mobilizada e não aceita o silêncio da Fenaban.”

De acordo com Clotário Cardozo, presidente do sindicato de Belo Horizonte e região, os bancários demonstram garra, coragem e capacidade de organização. “Nesses 15 dias de paralisações passamos por dois fins de semana sem que houvesse qualquer sinal de refluxo do movimento. Isso é a prova do compromisso da categoria com a luta em defesa dos nossos direitos. Vamos continuar firmes e mostrar aos bancos que a nossa greve é cada dia mais forte”, reforçou. Segundo o presidente, no pico das mobilizações foram fechadas 86% de agências e centros administrativos do estado.

No Rio de Janeiro, conforme observou Almir Aguiar, presidente do sindicato carioca, foram 480 prédios e agências fechadas nesta terça-feira 11 de outubro. “O bancário tem aderido à luta e a mobilização está forte. As agências têm permanecido fechadas, principalmente nas regiões centrais e os interditos proibitórios têm sido derrubados na Justiça.”

Correntes e cordéis – Em Brasília, o presidente do Sindicato, Rodrigo Britto, e o dirigente Edmilson Lacerda, permanecem acampados e acorrentados em frente ao Bradesco do Setor Comercial Sul durante 24 horas. Na manhã do 15º dia de paralisação outros dirigentes sindicais assumiram o posto no acampamento. A vigília diante do banco deve permanecer até o fim das negociações com a Fenaban.  “Queremos ver atendidas nossas exigências de aumento real de salário, valorização do piso, fim do assédio moral e mais contratações para melhorar as condições de trabalho e o atendimento à população, entre outros pontos”, enumerou o presidente.

Já no Ceará sobrou criatividade. O sindicato dos bancários usou a literatura de cordel para sensibilizar os trabalhadores. A peça A peleja do monstro ‘Presença’ para derrotar a deusa greve e A saga do Pererê contra o Personalité criticaram práticas antissindicais, demissões e pressões por metas abusivas no Bradesco e Itaú.

Segundo o autor, Tomaz de Aquino, secretário de Imprensa do sindicato dos bancários do Ceará, “o cordel está sendo utilizado pela entidade durante a greve dos bancários como instrumento de protesto e de mobilização, além de denunciar à sociedade as práticas antissindicais cometidas pelos bancos durante a greve nacional da categoria”.

Fonte: SEEB – SP