Começa nesta terça-feira (7), às 10h, a primeira rodada de negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2012 focando o importante bloco de reivindicações sobre emprego. De um lado da mesa, estará o Comando Nacional, coordenado pela Contraf-CUT. Do outro lado, sentará a Fenaban e representantes dos seis maiores bancos públicos e privados do país.

Os debates ocorrem no Hotel Maksoud, em São Paulo, seguem à tarde e continuam na manhã desta quarta-feira (8) sobre saúde e condições de trabalho e cláusulas sociais, no mesmo dia em que inicia a 1ª Conferência Nacional do Emprego e Trabalho Decente, que vai até sábado (11), em Brasília, com a participação de representantes dos trabahadores, empregadores, governo e sociedade civil.

A segunda rodada está agendada para os dias 15 e 16, quando serão discutidos os blocos de reivindicações sobre segurança bancária, igualdade de oportunidades e remuneração.

"O sistema financeiro nacional está mais sólido que nunca. Apesar de terem aumentado drasticamente as provisões para devedores duvidosos, mesmo diante da pequena inadimplência, os três grandes bancos (Bradesco, Itaú e Santander) que já divulgaram balanços do primeiro semestre lucraram R$ 16 bilhões, o que demonstra que eles podem atender às nossas reivindicações", reitera o presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional, Carlos Cordeiro.

Emprego decente

Nesta segunda-feira (6), a Contraf-CUT e o Dieese divulgaram a 14ª edição da Pesquisa de Emprego Bancário, realizada trimestralmente com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego.

Os bancos geraram 2.350 novos empregos no primeiro semestre de 2012, o que representa um recuo de 80,40% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram criadas 11.978 vagas.

A queda do emprego ocorreu em função do saldo negativo em 1.209 postos de trabalho nos bancos múltiplos com carteira comercial, atividade que engloba grandes instituições financeiras como Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil. Já a Caixa Econômica Federal abriu 3.492 empregos, o que evitou que o setor apresentasse desempenho negativo.

A abertura de 2.350 vagas no primeiro semestre representa uma expansão de apenas 0,46% no emprego bancário. Além disso, na comparação com o saldo de 1.047.914 empregos gerados em todos os setores da economia na primeira metade do ano, os bancos contribuíram com apenas 0,22% do total.

"O setor de maior lucratividade da economia brasileira não pode ter uma contribuição tão ínfima para a geração de empregos", critica o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro. "Não podemos aceitar essa falta de responsabilidade social dos bancos com o crescimento econômico e o desenvolvimento do país. Queremos emprego decente."

Truque da rotatividade

A pesquisa mostra que entre janeiro e junho os bancos contrataram 23.336 empregados e desligaram 20.986. Já a remuneração média dos admitidos foi de R$ 2.708,70 e a dos desligados de R$ 4.193,22, o que representa uma diferença de 35,40%. Na economia brasileira como um todo, a diferença entre a média salarial dos contratados é 7% inferior à média salarial dos demitidos.

"Essa alta rotatividade nos bancos é uma jabuticaba, na medida em que só existe no Brasil, sendo utilizada para travar a expansão da massa salarial e aumentar ainda mais os lucros", denuncia Cordeiro.

Nas campanhas nacionais realizadas entre 2004 e 2011, os bancários conquistaram aumentos reais de 13,9% nos salários e 31,7% nos pisos salariais na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). "No entanto, com o efeito da rotatividade, o impacto dos ganhos foi drasticamente reduzido pelos bancos e o aumento real médio ficou em torno de 3,6%, prejudicando a melhoria da renda dos bancários e favorecendo o crescimento dos lucros das instituições financeiras", destaca o presidente da Contraf-CUT.

Mais e melhores empregos

"Apesar da redução do PIB e das turbulências internacionais no primeiro semestre, nada justifica o freio do sistema financeiro brasileiro na geração de empregos, uma vez que os bancos permanecem lucrando muito", salienta o presidente da Contraf-CUT.

"Os bancos possuem uma enorme dívida social com o emprego no Brasil. O atual número de postos de trabalho é insuficiente para melhorar as condições de trabalho dos bancários e garantir atendimento de qualidade para a população. Além disso, a rotatividade é um truque injustificável e perverso para a economia, uma vez que retira o emprego de trabalhadores, onera os cofres públicos com a elevação do seguro-desemprego e não contribui para o desenvolvimento sustentável do país com distribuição da renda e inclusão social", ressalta Cordeiro.

Fonte: Contraf-CUT