Após três rodadas duplas de negociação, a Fenaban apresentará ao Comando Nacional nesta terça-feira 28, Dia dos Bancários, uma proposta global para as reivindicações da categoria na Campanha 2012.

"A expectativa dos bancários é que os bancos, para valorizar o processo de negociações, entreguem uma proposta que contemple aumento real de salário, valorização do piso, PLR maior, garantia de emprego, melhores condições de saúde e trabalho, mais segurança e promoção à igualdade de oportunidades", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional.

"Pelos lucros fantásticos que o sistema financeiro continua produzindo, graças principalmente ao aumento da produtividade dos bancários, há condições objetivas para atender as nossas reivindicações. Somente os seis maiores bancos tiveram lucro líquido de R$ 25,2 bilhões, mesmo usando o truque de fazer provisões para devedores duvidosos de R$ 39,15 bilhões para uma inadimplência que cresceu apenas 0,7 pontos percentuais no período", acrescenta Cordeiro.

Leia mais:
Com truque das provisões, bancos escondem lucro para reduzir a PLR

O Comando Nacional mostrou à Fenaban na terceira rodada de negociações, na quarta-feira 22, que o sistema financeiro nacional é o mais rentável do mundo, recompensa seus altos executivos com bônus milionários, mas paga a seus empregados um dos salários mais baixos dentre os bancários sul-americanos. "São injustiças como essas que tornam o Brasil o país com a quarta pior distribuição de renda na América Latina, segundo estudo da ONU. Isso não pode continuar", critica o presidente da Contraf-CUT.

Confira a seguir as principais reivindicações da categoria na Campanha 2012, aprovadas pela 14ª Conferência Nacional dos Bancários, realizada entre 20 e 22 de julho, em Curitiba.

Remuneração

 Reajuste salarial de 10,25% (reposição da inflação mais 5% de aumento real).

 Piso salarial de R$ 2.416,38, equivalente ao salário mínimo do Dieese.

 PLR de três salários mais R$ 4.961,25 fixos.

 PCS para todos os bancários.

 Reajuste para R$ 622,00, valor do salário mínimo nacional, para o auxílio-refeição, a cesta-alimentação, o auxílio-creche/babá e a 13ª cesta-alimentação, além da criação do 13º auxílio-refeição no mesmo valor.

 Parcelamento do adiantamento de férias em até dez parcelas iguais.

 Salário do substituto igual ao do substituído.

Emprego

 Mais contratações.

 Garantias contra demissões imotivadas.

 Fim da rotatividade.

 Respeito à jornada de seis horas.

 Fim das terceirizações.

 Universalização dos serviços bancários em substituição aos correspondentes.

Saúde e condições de trabalho

 Fim das metas abusivas.

 Combate ao assédio moral.

 Programa de Reabilitação Profissional.

Segurança bancária

 Obrigatoriedade da porta de segurança em todas as agências e postos.

 Fim da guarda das chaves do cofre e das unidades por bancários e vigilantes.

 Proibição ao transporte de numerário por bancários.

 Biombos e divisórias para garantir privacidade nos saques.

 Melhoria da assistência de saúde às vítimas de assaltos e sequestros.

Igualdade de oportunidades

 Inclusão na Convenção Coletiva dos planos de ação dos bancos de combate às discriminações, elaborados a partir do Mapa da Diversidade.

 Realização de novo censo para avaliar resultados das medidas em defesa da igualdade já implantadas.

Veja como foram as três rodadas de negociações anteriores:

Bancários negociam remuneração e Fenaban fará proposta global dia 28

Negociação sobre igualdade emperra; Comando propõe projeto de segurança

Avança negociação sobre saúde entre Comando Nacional e Fenaban

Banqueiros se negam a discutir metas abusivas que adoecem bancários

Banqueiros dizem que bancários não estão preocupados com emprego

Fonte: Contraf-CUT