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Nesta quarta-feira, 12 de setembro, os bancários vão se reunir em assembleia, às 19h, no ginásio de esportes do Sindicato dos Bancários da Paraíba (Av. Beira Rio, 3.100, Tambauzinho), para aprovar a deflagração da greve por tempo indeterminado a partir do dia 18, diante do impasse nas negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Nova assembleia será realizada no dia 17 para organizar a paralisação.

A categoria segue a orientação do Comando Nacional dos Bancários, que considerou insuficiente a proposta dos bancos apresentada no dia 28 de agosto, de 6% de reajuste sobre todas as verbas salariais, o que significa aumento real de 0,58%. Em nova rodada de negociação realizada no dia 4 de setembro, a Fenaban frustrou a expectativa dos bancários e não apresentou nenhuma nova proposta, forçando o Comando a orientar os sindicatos pelo encaminhamento da greve.

O presidente do Sindicato dos Bancários da Paraíba, Marcos Henriques criticou a intransigência dos bancos, que abandonaram a via negocial e apostaram no confronto. “Apesar dos lucros cada vez maiores, os banqueiros travaram as negociações, utilizaram a crise internacional como desculpa para não atenderem às reivindicações da categoria e estão empurrando os bancários para mais uma greve histórica. Então, vamos usar a única arma que temos contra a prepotência e intransigência dos banqueiros, que é a greve”, enfatizou.

Os lucros – Somente os cinco maiores bancos tiveram R$ 50,7 bilhões de lucro líquido em 2011, com uma rentabilidade de 21,2%, a maior do mundo. No primeiro semestre deste ano, as mesmas instituições apresentaram lucro líquido de R$ 24,6 bilhões, maior que em igual período do ano passado, mesmo com o provisionamento astronômico de R$ 37,34 bilhões para pagamento de devedores duvidosos, incompatível com a situação real de inadimplência.

Altos Executivos – Enquanto se recusam a dar aumento real de 5% aos bancários, a remuneração média dos diretores estatutários de quatro dos maiores bancos em 2012 será 9,7% superior à do ano passado, o que significa um aumento real de 4,17%. A remuneração total, que inclui as parcelas fixas, variáveis e ganhos com ações, soma este ano R$ 920,7 milhões, contra R$ R$ 839 milhões em 2011. Cada diretor estatutário do BB embolsará este ano mais de R$ 1 milhão, os do Bradesco receberão R$ 4,43 milhões cada um, os do Santander R$ 6,2 milhões e os do Itaú R$ 8, 3 milhões.

Em contrapartida ao aumento imenso da remuneração dos altos executivos, os bancos pagam a seus trabalhadores no Brasil um dos piores salários da América do Sul. Pesquisa realizada pela Contraf-CUT junto a entidades sindicais sul-americanas mostra que o piso salarial dos bancários brasileiros é de R$ 1.250,00, o equivalente a US$ 681 (ou 5,68 dólares a hora trabalhada). No Uruguai, o piso salarial do bancário era US$ 1.089 (8,38 dólares a hora) e na Argentina o salário de ingresso é quase o dobro do brasileiro: US$ 1.200 (8 dólares a hora).

"São práticas absurdas como essas que tornam o Brasil um dos 12 países com a pior concentração de renda do mundo e a quarta pior na América Latina, ao mesmo tempo em que ostenta o sexto lugar no ranking das maiores economias. Nós estamos mobilizados e vamos arrancar nossas conquistas na luta, como sempre o fizemos. Mesmo assim, apostamos no diálogo e esperamos que os banqueiros façam uma proposta decente até o dia 17”, concluiu Marcos Henriques.

As principais reivindicações dos bancários

● Reajuste salarial de 10,25% (aumento real de 5%).
● Piso salarial de R$ 2.416,38.
● PLR de três salários mais R$ 4.961,25 fixos.
● Plano de Cargos e Salários para todos os bancários.
● Elevação para R$ 622 os valores do auxílio-refeição, da cesta-alimentação, do auxílio-creche/babá e da 13ª cesta-alimentação, além da criação do 13º auxílio-refeição.
● Mais contratações, proteção contra demissões imotivadas e fim da rotatividade.
● Fim das metas abusivas e combate ao assédio moral
● Mais segurança
● Igualdade de oportunidades.