Crédito: Seeb São Paulo
Seeb São Paulo Os serviços prestados pelas instituições financeiras não vêm causando boa impressão em usuários e clientes. Muitos dos que procuravam os caixas eletrônicos das agências da região da Paulista, em São Paulo, fechadas pela greve nacional da categoria, que entrou nesta quarta-feira (19) em seu segundo dia, criticaram os bancos e manifestaram apoio ao movimento dos trabalhadores.

O analista de logística, Leonardo de Souza, disse se sentir inseguro quando usa os serviços bancários desde que foi vítima do crime da saidinha. Ele estava informado sobre a reivindicação dos bancários pela implantação de biombos entre os caixas e a fila e manifestou apoio. "Ajudaria muito a diminuir a ação dos criminosos porque daria pra gente sacar dinheiro sem ninguém ver", argumentou.

"Absurdos". Assim a secretária Tereza Cristina classificou as tarifas e juros bancários. "O cliente é lesado e se não confere o extrato sempre acaba pagando outras tarifas que são empurradas pelo banco. O meu (banco) por exemplo quis me empurrar um seguro proteção e uma taxa desnecessária para manter minha conta", disse ela.

A secretária também reclamou dos produtos que os bancos insistem em vender aos clientes. "Isso tem de acabar. Se o cliente tem interesse, ele vai lá e pede." A correntista disse que concorda com a reivindicação dos bancários pelo fim das metas abusivas. "Eles obrigam os bancários a vender e isso acaba prejudicando os clientes", afirmou. "Não sou contra a greve. É o único jeito que (os bancários) têm de se manifestar pelos seus direitos", opinou.

Apoio aos bancários

O servidor público Gilson Barros destacou o aumento da PLR dos trabalhadores como uma reivindicação legítima. "A greve é justa. Sei que um dos pontos que os bancários defendem é o aumento da PLR e estão muito certos. Os lucros líquidos dos bancos são exorbitantes e nada mais justo do que dividirem isso com os funcionários."

O lucro dos bancos também foi ressaltado pelo microempresário Luís Antônio Figueiredo. "De um lado os banqueiros arquimilionários, de outro os bancários e clientes se ferrando", resumiu. Ele contou que já vendeu carro e terreno para se livrar de uma dívida no cheque especial. "Paguei juros altíssimos. Sou cliente do banco há 17 anos, mas nem assim consegui renegociar a dívida. Os juros e as tarifas no Brasil são extremamente altos e os bancos não incentivam os pequenos negócios", criticou.

"Nada mais justo do que os trabalhadores quererem melhores condições de trabalho e salários. E se os bancos oferecem tão pouco é só porque querem continuar lucrando muito", resumiu o auxiliar administrativo Daniel Santana.

Em Osasco, um cliente do Itaú, o aposentado Alcides Bahia, sabia do movimento e reconheceu o direito dos funcionários de reivindicarem melhores condições de trabalho. "Entendo que todo o movimento grevista é legítimo. Isso desde os meus tempos de juventude. Não é agora que deixou de ser. Eu particularmente apoio. Sei que os bancos fizeram uma proposta bem abaixo do que os funcionários estão pedindo e por isso decidiram pela paralisação", disse.

Um funcionário do supermercado Carrefour que preferiu não se identificar disse, ao deparar com uma agência fechada, que os bancos só exploram clientes e funcionários. "É isso mesmo, tem que fazer greve. Esses bancos estão cheios de dinheiro", afirmou, fazendo um sinal de positivo para os representantes dos trabalhadores.

Outro cliente, que também preferiu não ser identificado, declarou que os bancos no Brasil perderam a noção de tudo. "Não me julgo uma pessoa tão informada assim, mas não precisa para saber que o setor bancário é o que mais lucra neste país e só quer saber de ganhar. Infelizmente não sei o quanto os bancários estão pedindo, mas o que eu sei é que não estão contentes com as condições de trabalho. Quem quiser chegar a essa constatação basta ficar cinco minutos dentro de uma agência do Itaú para perceber o quanto estão sofrendo", afirmou.

Fonte: Contraf-CUT com Seeb São Paulo