Depois das quase 15 horas de confinamento em um cativeiro no Centro de Lages, os 10 reféns da tentativa de assalto à agência do Banco do Brasil – entre eles, quatro crianças – passaram o dia acolhidos na sede da Divisão de Investigação Criminal (DIC). Precisavam contar detalhes do que tinham passado e ajudar a polícia a entender a teia de ação do sequestro que terminou com troca de tiros e dois presos. Mais do que isso: precisavam receber apoio profissional de psicólogos, que foram cedidos pelo próprio Banco do Brasil.

As famílias dos três gerentes foram abordadas em casa por volta de 21h no domingo, dia 1º de setembro. Os sequestradores se dividiram em três grupos.

Um deles adentrou no apartamento da primeira gerente, no Bairro Sagrado Coração de Jesus, e manteve ela, os dois filhos, a mãe, a irmã e o namorado dela sob a mira de revólveres. Enquanto isso, o outro bando invadia a casa de outro gerente, no Bairro Coral, obrigando ele, a mulher e uma filha a entrarem no próprio carro e seguir em direção ao apartamento da primeira refém. O último dos gerentes também foi rendido em casa, no Centro, e levado com a família – a mulher e dois filhos – para o mesmo apartamento. O carro da família também foi usado.

Chegando lá, reuniram os 10 familiares, os amarraram com lençóis e elástico e abandonaram os carros – uma Tucson, um Peugeot 207 e um Peugeot 208. Os três gerentes, porém, foram levados para a casa de outro deles. A intenção era esperar amanhecer para usá-los para abrir o cofre da agência bancária – já que a senha só é ativada com a presença dos três.

O plano, no entanto, não deu certo. Às 9h30, quando entraram no estabelecimento, os funcionários perceberam que o único dinheiro da agência estava nos caixas – e não no cofre – frustrando os bandidos. Foi quando a polícia soube do caso.

Sozinhos no apartamento de uma das gerentes, os 10 familiares aproveitavam para tentar se desvencilhar dos lençóis. Enquanto isso, uma viatura da Polícia Militar seguia em direção às casas das vítimas para averiguar a situação e preparar a perícia. Era cerca de 11h30min quando os agentes foram surpreendidos pelos reféns abrindo a janela do apartamento para pedir socorro. Acabava ali o sofrimento do grupo, 15 horas depois.

ENTREVISTA – Vítima do sequestro

“Eles eram bem profissionais”

As vítimas ficaram na sede da Divisão de Investigação Criminal de Lages até o fim da tarde de segunda-feira para depoimento. Falaram com agentes e psicólogos, já que alguns estavam sob estresse.

Não quiseram falar com a imprensa, mas, ao serem liberados, o namorado da irmã da gerente do banco falou por cinco minutos com o DC. O nome dele não foi revelado porque a procura pelos sequestradores continua.

Diário Catarinense – Como foram as quase 15 horas no cativeiro?

Vítima do sequestro – Estávamos em casa quando eles chegaram. Ficamos presos lá até as 11h30min do dia seguinte. No momento em que estavam com a gente, não nos sentimos realmente ameaçados. Eles não nos deixaram em pânico. Fomos tratados até com certa cordialidade.

Diário Catarinense – Teve alguma violência?

Vítima do sequestro – Não. Foi só a violência psicológica mesmo. Pareciam estar acostumados com esse tipo de situação. Eles eram bem profissionais.

Fonte: Diário Catarinense