Crédito: Seeb Angra dos Reis
Seeb Angra dos Reis
Bancários e vigilantes com a prefeita Maria da Conceição Rabha

O assassinato do bancário Igor Henrique Batista Alves da Silva, de 22 anos, e da vigilante Verônica Soares, de 24, durante assalto no último dia 21 de agosto a um posto de atendimento do Santander, levou dirigentes sindicais das duas categorias a se reunirem em audiência nesta quinta-feira (12) com a prefeita de Angra dos Reis, Maria da Conceição Caldas Rabha. Os representantes solicitaram à chefe do executivo o envio de um projeto de lei para a Câmara de Vereadores, visando prevenir assaltos, sequestros e “saidinhas de banco”, a fim de proteger a vida de trabalhadores e clientes. “Temos a obrigação de fazer”, respondeu Conceição.

Pelos bancários, participaram o secretário de imprensa da Contraf-CUT e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária, Ademir Wiederkehr, o diretor da Fetraf Rio de Janeiro e Espírito Santo, Paulo Roberto Garcez, e o presidente e o diretor do Sindicato dos Bancários de Angra dos Reis, Rogério Salvador e Jorge Valverde, respectivamente.

Os trabalhadores em segurança privada foram representados pelo presidente da Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), José Boaventura Santos, e os presidentes dos Sindicatos dos Vigilantes de Angra dos Reis, Maurício Conceição, e de Petrópolis, Adriano Linhares.

Prevenção contra a violência

A Contraf-CUT e a CNTV entregaram para a prefeita um modelo de projeto de lei, lançado em 2010, que vem sendo levado por sindicatos de bancários e vigilantes para executivos e legislativos em centenas de cidades brasileiras. Entre os equipamentos previstos estão portas giratórias, câmeras internas e externas com monitoramento em tempo real, biombos, divisórias entre os caixas, guarda-volumes, vidros blindados e escudos com assentos para vigilantes.

“Muitas vidas já foram salvas graças a aprovação e a fiscalização dessas leis e o STF já consolidou a competência dos municípios em legislar sobre segurança, pois se trata de assunto de interesse local, conforme faculta o artigo 30 da Constituição Federal. E a segurança é hoje um tema que preocupa cada vez mais todas as comunidades”, disse Ademir.

“Queremos que nenhum alvará de funcionamento seja concedido pela prefeitura para estabelecimento bancário que não cumpra as exigências de segurança”, salientou Boaventura defendendo a importância de uma lei municipal para proteger a vida das pessoas.

Mãe de um funcionário de banco e ex-professora do presidente do Sindicato dos Bancários, a prefeita disse que ficou muito sensibilizada com as duas mortes e com a insegurança nos bancos. “Não há lei municipal que trata do assunto na cidade, que é muito procurada por turistas do Brasil e de outros países”, destacou Rogério.

A administradora ficou chocada com as falhas cometidas pelo Santander que facilitaram o assalto. O posto se encontra fechado desde a tragédia. “O banco vê segurança como custo e por isso tem evitado despesas e reduzido até o número de vigilantes em várias agências, aumentando o risco de assaltos”, salientaram Ademir e Garcez, que também são funcionários do Santander e já cobraram providências em negociações específicas com o banco espanhol.

O presidente do Sindicato dos Vigilantes denunciou que já é comum pessoas, principalmente idosos, saírem de agências em Angra dos Reis após fazerem saques e, minutos depois, voltarem assustadas, ou até chorando, por terem sido vítimas de “saidinhas de banco”.

A vida acima do lucro

Ademir e Boaventura entregaram também as últimas pesquisas nacionais da Contraf-CUT e CNTV, com apoio do Dieese. Uma mostra que no primeiro semestre deste ano foram registradas 30 mortes em assaltos envolvendo bancos, uma média de seis por mês, sendo 21 clientes. A outra revela a ocorrência de 1.484 ataques a bancos nos primeiros seis meses de 2013, um crescimento de 17,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

A prefeita prometeu fazer um estudo do modelo de projeto de lei e outras legislações municipais existentes que tratam de segurança bancária e se comprometeu em elaborar um projeto e enviá-lo para a Câmara Municipal. “Vamos precisar do apoio dos bancários e dos vigilantes para dialogar com os vereadores e a sociedade, mostrando a importância de termos uma lei que traga segurança nos bancos da cidade”, concluiu.

Os dirigentes sindicais se colocaram à disposição da prefeitura e dos vereadores, a fim de construir uma legislação municipal que coloque a vida das pessoas acima do lucro.

Fonte: Contraf-CUT