Na quarta-feira (29), “Dia Nacional da Visibilidade Travesti”, aconteceu em São Paulo a quarta reunião do Grupo de Trabalho (GT) Censo, integrado pela Contraf-CUT e Fenaban, com a consultoria do CEERT – Centro de Estudos de Relações de Trabalho e Desigualdades, para a realização do II Censo da Diversidade Bancária, previsto para começar no dia 17 de março.

Os principais avanços da reunião foram o aprimoramento das questões relativas à população LGBT e também a aceitação de uma importante reivindicação dos bancários, a de que no levantamento seja considerada a natureza dos bancos, se são públicos ou privados.

O II Censo da Diversidade foi uma conquista do processo negocial entre a Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT, e a Fenaban na Campanha Nacional de 2012, quando as partes assumiram o compromisso paritário de prepará-lo em 2013 e aplicá-lo em 2014, conforme consta na convenção coletiva.

“Foi possível avançar no aprimoramento do questionário, que trará como importante novidade questões relativas à população LGBT. Entretanto, ainda temos a pendência referente à trajetória laboral para sabermos se os bancários e as bancárias conhecem os critérios e a descrição dos cargos e funções da empresa, bem como as características técnicas essenciais para mudança de cargos e promoções. A Fenaban ficou de avaliar essa reivindicação e dar retorno ao movimento sindical o mais breve possível”, afirma Andrea Vasconcelos, secretária de Políticas Sociais da Contraf-CUT.

Igualdade de oportunidade e tratamento

O primeiro censo da categoria bancária, realizado em 2008, foi respondido por 204.133 trabalhadores. O resultado apontou, entre outros dados, que as mulheres ganhavam salários menores mesmo com cargos iguais aos dos homens, que 81% dos cargos de supervisão são ocupados por homens, que faltava acessibilidade nos bancos para pessoas com deficiência e que apenas 2,3% dos bancários são negros.

“É o resultado de um longo debate sobre a importância de garantir a igualdade de oportunidades e de tratamento para todas as pessoas, independente de classe, gênero, raça, cor, etnia, orientação sexual, idade e se pessoa com deficiência. Para a Contraf-CUT, o direito à diversidade é um princípio guia que implica liberdade e cidadania”, ressalta Andrea.

Pelo fim da cultura homofóbica

O II Censo revela o pioneirismo dos bancários em romper barreiras, ao tirar o tema LGBT da invisibilidade, pois o silêncio contribui e favorece a perpetuação das discriminações e violências por preconceito, reproduzindo desigualdades e injustiças na sociedade.

Para a dirigente da Contraf-CUT, “o II Censo abre as portas para que as pessoas se apresentem inteiras e não pela metade. Elas não serão coagidas ou constrangidas a ocultar suas escolhas, sob o risco de serem desrespeitadas, ao contrário, estimulamos a participação de todos os sujeitos porque queremos uma sociedade livre de discriminação sexual”.

Calendário do II Censo

O II Censo começa no dia 17 de março e vai até o dia 25 de abril, quando o questionário ficará disponível, no hotsite da Fenaban, para que todos os bancários respondam.

“As informações serão confidencias e o sigilo será preservado. Portanto, é importante que os bancários se sintam seguros e tranquilos porque o sistema não identificará as pessoas. O principal objetivo do censo é conhecer o perfil da categoria, com a finalidade de corrigir distorções e construir um ambiente de trabalho democrático e igualitário”, conclui a diretora da Contraf-CUT.

Fonte: Contraf-CUT