Crédito: CUT
CUTO ano era 1982. O lugar, a Companhia Paulista de Força e Luz. E lá, uma conversa entre dois amigos: “Você parece que leva jeito para representar os trabalhadores. O que você acha de nos representar?”  “Não. Acabei de entrar na empresa, eu quero crescer na empresa”. 

Um ano depois desse diálogo, aquele jovem paulistano, que nasceu e cresceu numa rua em frente ao estádio do Palmeiras, esqueceu aquele “não” e se tornou representante dos trabalhadores na tal CPFL. 

Vinte e três anos após ter ouvido o quase vaticínio de que podia representar os companheiros no local de trabalho, ele foi eleito presidente nacional da maior central sindical da América Latina e passou a apresentar milhões de brasileiros e brasileiras.

Nesta segunda-feira (17), Artur Henrique da Silva Santos assume novo desafio. Ele deixa a sua ação na CUT para levar tudo que aprendeu e ensinou no movimento sindical para o governo petista de Fernando Haddad. A missão está posta: às 14h, na sede da Prefeitura de São Paulo, Artur será empossado oficialmente no cargo de secretário municipal de Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo.

“Eu nunca vou deixar de saber de onde eu vim. Tem gente que prefere não assumir os desafios próprios do nosso trabalho político, que é formar dirigentes sindicais para diferentes tarefas, mas também formar pessoas que possam interferir nas políticas públicas e, dessa forma, conseguir transformar a vida da população, principalmente dos trabalhadores e das pessoas mais excluídas”, diz Artur sobre seu novo desafio.

E prosseguiu: “Nosso projeto de transformação da sociedade tem sua base em saber que modelo de desenvolvimento nós queremos para o Brasil. Nós não nos formamos e criamos a CUT e o Partidos dos Trabalhadores para fazer o mesmo que já existia antes da gente. Esse é o grande significado do governo Haddad: a proposta do arco do futuro, um projeto de desenvolvimento que seja voltado para a a maioria da população”, explica Artur.

Segundo ele, um dos principais alicerces na Secretaria é implementar ações rumo ao modelo de desenvolvimento sustentável, com inclusão social e trabalho decente. “E isso faz com que a minha responsabilidade seja colocar em prática o que a gente sempre defendeu e sonhou para os trabalhadores e a sociedade”.

Confiança 

Ao reverenciar a trajetória de Artur Henrique no movimento sindical e na CUT, o presidente nacional da Central, Vagner Freitas, disse que “é muito importante que o Artur esteja na Prefeitura de São Paulo para representar o movimento sindical, os movimentos sociais e a classe trabalhadora na estratégia do projeto de governo petista do Haddad, um projeto que mudou o Brasil e já está mudando, para melhor, a maior cidade do País”

Para o secretário-geral nacional da CUT, Sérgio Nobre, São Paulo ganha um secretário à altura da importância estratégica que a capital paulista tem para o País. “Artur é um dirigente sindical e um ser humano como poucos que já conheci. Sua ida para o governo do Haddad é mais uma mostra da relevância que a formação sindical tem para o Brasil por tranformar trabalhadores em dirigentes e dirigentes em secretários, ministros, presidente”, disse Sérgio.

Em 2013, na celebração dos 30 anos da Central, Artur afirmou: “A CUT já nasceu incomodando e continua sendo uma pedra no sapato de setores conservadores e, mais especificamente, daqueles em cujo coração não bate o desejo verdadeiro de um Brasil independente, onde todas as pessoas tenham emprego, renda, educação, cultura e saúde, a despeito da cor da pele ou das origens social e geográfica. É claro que estamos longe dessa conquista. Mas isso não quer dizer que o sonho acabou, nem tampouco que não esteja sendo construído passo a passo. Ainda falta muito, mas falta menos”.

O colega de trabalho, e hoje amigo de luta na CUT, que viu em Artur um futuro representante dos trabalhadores é Kjeld Jakobsen, ex-dirigente que chegou a presidir a Central, interinamente, em 2010.

Trajetória de Artur 

Após dois mandatos à frente da CUT (2006 a 2012), Artur foi secretário-adjunto de Relações Internacionais. Também presidiu o Instituto de Cooperação Internacional criada pela CUT e foi membro do Conselho Executivo da Central Sindical das Américas (CSA).

Artur completará 53 anos em junho, é paulistano da Vila Pompeia, bairro da zona oeste. O pai tinha uma papelaria e a mãe era trabalhadora doméstica. É filho único, casado e pai de duas filhas. 

A formação universitária em Sociologia foi em Campinas, no interior, para onde a família se mudou em 1979. Fez concurso e entrou na Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), na época uma estatal, como eletrotécnico.

Tornou-se oficialmente dirigente sindical em 1987 (no atual Sinergia), na mesma época em que começou a estudar Sociologia na PUC. Mas Iniciou sua atividade sindical em 1983, quando foi eleito conselheiro representante dos trabalhadores da CPFL.

No ano seguinte, participou da campanha para a eleição de uma chapa cutista de oposição à direção do Sindicato dos Eletricitários de Campinas cuja vitória ocorreu em 1987, quando Artur Henrique assume o cargo de diretor executivo da entidade. Imediatamente o STIEEC filia-se à CUT e, em 1991, foi o primeiro sindicato do Brasil a abolir a cobrança do imposto sindica.

Em 1997, em consonância com outra diretriz da CUT, o Sindicato dos Eletricitários uniu-se ao Sindicato dos Gasistas, que também compõe o setor energético, dando origem ao Sinergia-SP/CUT. As categorias, dessa forma, consolidaram a organização dos trabalhadores por ramo de atividade. 

De 2000 a 2003, Artur Henrique foi diretor da CUT de São Paulo. Chegou à CUT nacional em 2003. A busca pela construção deste modelo de organização em todas as categorias representadas pela CUT foi a tônica do mandato de Artur naquela secretaria. Depois da Formação,foi secretário-geral até assumir a presidência da Central pela primeira vez, em 2006. 


Fonte: Vanilda Oliveira – CUT