Crédito: Marcela Brito – Seeb MT
Marcela Brito - Seeb MT Evento foi realizado na sede do Sindicato

Bancários e trabalhadores de diversas áreas participaram da palestra “Assédio Moral no Ambiente de Trabalho”, no último sábado (22), em Cuiabá. O evento, realizado pelo Sindicato dos Bancários de Mato Grosso (SEEB-MT) em parceria com o Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT), trouxe o procurador do Trabalho, Leomar Danrocho ao auditório do Sindicato para realizar o debate. Uma cartilha produzida pelo MPT foi entregue aos participantes.

> Clique aqui para ler a cartilha do MPT.

Assédio moral no trabalho é “toda e qualquer conduta abusiva (gesto, palavra, comportamento, atitude) que atente, por sua repetição ou sistematização, contra a dignidade ou a integridade psíquica ou física de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou degradando o clima de trabalho”.

Essa é a definição apresentada pela cartilha do MPT que também afirma que “Por vezes, são pequenas agressões que, tomadas isoladamente, podem ser consideradas pouco graves, mas, quando praticadas de maneira sistemática, tornam-se destrutivas”.

Muitos foram os casos citados acerca do assédio moral e as consequências ao trabalhador assediado. O procurador do Trabalho, Leomar Danrocho, citou as características do assédio e elencou os tipos mais frequentes. De acordo com ele, é importante não generalizar qualquer ação e classificá-la como assédio.

“A frequência e a intencionalidade da conduta não pode ser confundida com uma desavença isolada ou esporádica por conta do trabalho. Um chefe de personalidade exigente, meticulosa, que cobra excelência do trabalho ou um determinado comportamento profissional, não pode ser visto, de pronto, como agressor, caso sua conduta esteja inserida dentre as prerrogativas de seu poder diretivo e disciplinar”, afirma o procurador.

Juntos somos fortes

A melhor maneira de prevenir o assédio moral no ambiente de trabalho, segundo Danrocho, é a categoria se unir e fortalecer o sindicato. “A barreia para combater este mal é a organização dos trabalhadores através do sindicato. Dessa forma, o empregado tem uma entidade que o defende e luta pelos seus direitos”, diz.

O presidente do Sindicato, José Guerra, afirma que uma das principais ações da entidade é combater o assédio moral nos bancos e defender a categoria deste mal que assola a vida profissional e pessoal do trabalhador.

A diretora do Sindicato, Italina Faccini, observa que a luta das entidades sindicais é erradicar o assédio moral e fazer com que este tipo de ataque ao trabalhador não seja mais realidade no ambiente de trabalho.

A palestra contou com a participação de todos os presentes que fizeram perguntas, citaram, casos e intervenções que enriqueceram o debate sobre o assédio moral. Uma das ações mais utilizadas atualmente pelo assediador é realizar cobranças via aparelhos de telefonia móvel conectados à internet.

Consequências

Os reflexos em quem sofre a humilhação são significativos e vão desde a queda da autoestima a problemas de saúde. Dentre as marcas prejudiciais do assédio moral na saúde do trabalhador, são citadas as seguintes:

– Depressão, angústia, estresse, crises de competência, crises de choro, mal-estar físico e mental;

– Cansaço exagerado, falta de interesse pelo trabalho, irritação constante; insônia, alterações no sono, pesadelos; diminuição da capacidade de concentração e memorização;

– Isolamento, tristeza, redução da capacidade de se relacionar com outras pessoas e fazer amizades; sensação negativa em relação ao futuro;

– Mudança de personalidade, reproduzindo as condutas de violência moral;

– Aumento de peso ou emagrecimento exagerado, aumento da pressão arterial, problemas digestivos, tremores e palpitações;

– Redução da libido;

– Sentimento de culpa e pensamentos suicidas;

– Uso de álcool e drogas;

– Trabalhador doente que não emite CAT para não ser constrangido (os “quase acidentes”) ou não junta atestados, por medo de discriminação.

– O assédio moral causa a perda de interesse pelo trabalho e do prazer de trabalhar, desestabilizando emocionalmente e provocando não apenas o agravamento de moléstias já existentes, como também o surgimento de novas doenças.

Fonte: Contraf-CUT com Seeb Mato Grosso