Crédito: Roberto Parizotti – CUT
Roberto Parizotti - CUT

VII Encontro Nacional de Comunicação da CUT ocorre em São Paulo

“A Comunicação, por si só, não é contra-hegemônica. Ela só consegue ser quando está articulada com a ação política”, afirmou, nesta quinta-feira (27), Rosane Bertotti, secretária de Comunicação da CUT Nacional, durante o 7º Encontro Nacional de Comunicação da CUT (Enacom), que ocorre em São Paulo. A dirigente participou do painel “Comunicação Contra-Hegemônica”, sobre desafios de Comunicação a serem enfrentados pela CUT Nacional, as confederações e as estaduais da CUT.

Segundo Rosane, a importância dada à Comunicação depende de decisões políticas e financeiras das executivas das entidades. “Se não tivermos a decisão política de colocar a Comunicação como eixo central das políticas decisórias, e, depois, a discussão financeira, sobre as formas de implementação das políticas, como poderemos construir comunicação contra-hegemônica?”, indaga.

Para ela, houve muitos avanços na CUT em relação ao debate da Comunicação, a exemplo da inserção do tema na estrutura interna da Central e a decisão de colocar a Democratização da Comunicação como principal pauta de luta nas manifestações de primeiro de maio. Mas ainda é preciso avanços nos estados. 

Rosane lembra que é preciso rearticular, também, os grandes parceiros, como a TVT, a Rede Brasil Atual e a blogosfera. “A direita consegue estruturar Comunicação com facilidade. Se nós não conseguirmos construir uma rede, como vamos falar com a juventude, com nossa base?”.

Paulo Salvador, diretor da Rede Brasil Atual, também ressaltou a importância das secretarias de comunicação nos estados e a necessidade de investimento como um pilar básico para a Comunicação. “Não dá para enfrentar o imperialismo com mimeógrafo, é preciso investir”, destaca. 

Para ele, é fundamental combater a importância dada às grandes mídias; incentivar a coleta de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular por uma Mídia Democrática (PLIP); criar redes de Comunicação eficazes entre as estaduais da CUT e pensar um modo de se adaptar ao novo fluxo de informações. 

“Nós estamos passando por uma revolução pessoal. Se não ficarmos atentos à velocidade e às novas lógicas de comunicação, que a juventude, inclusive, está atenta, nós corremos sérios riscos de prejuízo”, aponta Salvador.

O jornalista ressalta a necessidade de reflexão sobre a imprensa sindical, inclusive em relação à linguagem. “Precisamos fazer debates sobre novas técnicas, aproveitar acontecimentos populares, memes, redes sociais. Talvez os meios precisem se valer de jargões, personagens, conteúdos que estão nas bases, para termos maior penetração”. Outra questão, segundo Salvador, é a necessidade de produção de conteúdo específico, com apuração e boa estruturação.

A secretária de comunicação da CUT deixou como sugestão para as estaduais da CUT o mapeamento dos parceiros na área de Comunicação e a articulação para tornar visível na mídia outras regiões do Brasil, além do Sudeste.

A lógica da Mídia

Para Valter Sanches, presidente da Fundação Sociedade Comunicação, Cultura e Trabalho e diretor de comunicação do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, os grandes grupos de mídia criticam o sistema público para gerar lucro em sistemas privados e, assim, manter os anúncios que a sustentam. 

“No Brasil, temos predominância do modelo comercial. O que é a mídia comercial? Empresas que vivem de lucro. E se vivem de lucro, reproduzem valores na sociedade em que mantenham esse sistema acontecendo, mantendo sistema e retorno de lucro”, disse. Como exemplo, o sindicalista apresentou os sistemas de saúde e educação públicas. Os sistemas privados dessas áreas são considerados grandes financiadores das empresas midiáticas.

Como estratégias de combate, Sanches aponta duas frentes de luta: Democratização da Comunicação e construção de veículos próprios. “Temos que destinar parte de verbas do Sindicato para fazer isso, é questão de sobrevivência”, afirma, lembrando que não é possível ficar dependente de verbas governamentais. A TVT vem construindo uma rede de comunicação, incluindo jornais, revistas, internet, e TV, com destaque para um novo canal que começa a funcionar em 40 dias, além de aplicativos para celular.” 

“A tendência, pelo que parece, é o celular. A mídia hegemônica quer migrar para o celular para estar presente no máximo de lugares possível. Os celulares estão mais presentes em casas do que as televisões e temos que disputar esses espaços”, frisa.

O presidente da FENAJ, Celso Schröder, concordou com a necessidade de construir uma alternativa à Comunicação hegemônica a partir da organização no interior da Central. “Me parece que, compreendendo as diferenças estaduais, é necessário falas compartilhadas socialmente para capacitar a sociedade. É preciso formar vocabulário e sermos compreendidos, termos uma linguagem universal”. 

O jornalista atentou à necessidade de disputa ideológica nas camadas populares, levando em consideração que o jornalismo tem sido um local histórico de manipulação. Centrando o debate nas redes sociais, afirmou que “as redes não são nossas, são deles. E é mais fácil eles terem acesso às redes porque tem aquilo que os deixou dominar as outras formas decomunicação: o dinheiro”. 

Para Schröder, é urgente a construção de uma alternativa à Comunicação Social como ela se apresenta: interesse das elites. Os trabalhadores precisam pensar na saída ideal que faça a contraposição às ideologias de direita.

Plano de Comunicação Nacional

O VII Enacom continua nesta sexta-feira (28) com debate sobre as estratégias de Comunicação para as direções estaduais e a apresentação do Plano Nacional de Comunicação da CUT. Haverá grupos de trabalho para discutir os pontos do Plano e a aplicação específica nos estados da federação.


Fonte: Henri Chevalier – CUT Nacional