Crédito: Seeb Rio de Janeiro
Seeb Rio de Janeiro Quando o Brasil e alguns países do exterior lembram o golpe de 1964, com debates, palestras, artigos científicos e jornalísticos, o Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro não poderia deixar de destacar o caso do bancário do Banco do Brasil, Aluísio Palhano Pedreira Ferreira, por duas vezes presidente do Sindicato, com atuação heroica na luta pela liberdade e a democracia.

Quem foi Palhano

Nascido em 1922 na pequena cidade paulista de Pirajuí, às margens do Rio Tietê, em 1932, Palhano veio para Niterói, onde estudou até formar-se advogado, ingressando no Banco Brasil aos 21 anos. Casou, em 1947, com Leda Pimenta, com quem teve os filhos Márcia e Honésio.

Em 1964, quando teve seus direitos políticos cassados e passou a ser caçado pelos órgãos de repressão, era presidente da Contec (Confederação dos Trabalhadores dos Estabelecimentos de Crédito), eleito um ano antes. Com seus direitos cassados, asilou-se no México em fins de 1964, indo depois para Cuba.

Em 1969, representou o Brasil na Organização Latino-Americana de Solidariedade (Olas), em Havana. Ao regressar ao Brasil, clandestinamente, manteve contato com a família, por ocasião do casamento de sua filha. Falou com os familiares pela última vez em 24 de abril de 1970. Depois, o silêncio.

Morte no DOI-Codi

Nos registros oficiais constam que ele teria sido preso em 9 de maio de 1971, em São Paulo, sob o nome falso de João Alves Pedreira Ferreira, como militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

Os primeiros boatos da morte de Aluísio Palhano correram em 1976.
Mas, segundo o preso político Altino Dantas Júnior, seu companheiro de cela, em correspondência encaminhada ao então ministro do Supremo Tribunal Militar, general Rodrigo Otávio Jordão Ramos, Palhano foi morto no DOI-Codi, na Rua Tutoia, em São Paulo, onde teria ficado preso durante 11 dias.

Recentemente, houve informações de que ele teria passado pela Casa da Morte, em Petrópolis, com a possibilidade de ter sido atirado em um rio. Outras fontes ligadas aos órgãos de tortura aventaram também a hipótese de que seu corpo tenha sido incinerado em altos-fornos de usinas de açúcar em Campos, junto com outros presos políticos assassinados.

Supôs-se ainda que seu corpo tivesse sido enterrado em vala comum, com outros militantes da resistência, na região da Grande São Paulo.

É hora de revelarem também o que realmente aconteceu ao bancário que lutou e morreu pela democracia deste país.

A verdade surgirá

Fica mais forte a necessidade de esclarecimentos sobre a morte de Palhano e de outros desaparecidos políticos, nesse momento em que gestões da Comissão Nacional da Verdade conseguiram desmascarar os órgãos oficiais sobre o desaparecimento do deputado Rubens Paiva, preso em 1971.

Depois de mais 40 de anos de mentiras, foi esclarecido: Rubens Paiva foi morto sob tortura nas dependências do Exército (DOI – Departamento de Operações Internas), na Tijuca.

Fonte: Seeb Rio de Janeiro