Crédito: Guina Ferraz – Contraf-CUT
Guina Ferraz - Contraf-CUT Entidades sindicais cobraram também agilidade nas contratações

A Contraf-CUT, federações e sindicatos se reuniram nesta quarta-feira (2) com o Banco do Brasil, em Brasília, com assessoria da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB e representantes das entidades sindicais, onde estão situadas as Centrais de Atendimento do Banco do Brasil (CABB), para discutir várias questões para a melhoria das condições de trabalho apresentadas pelos trabalhadores em encontros específicos do setor, que têm ocorrido nos últimos 4 anos.

O secretário de formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa, William Mendes, fez duras críticas ao banco pelo não cumprimento do parágrafo 3º da cláusula 57ª do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), aditivo à Convenção Coletiva da categoria (CCT). “Trata-se de um direito conquistado pelos bancários na Campanha Nacional 2013”, disse.

A primeira questão levantada pelos dirigentes sindicais foi sobre o absurdo da falta de preenchimento das vagas existentes nas CABB. Nesta data, existem 254 vagas não preenchidas de atendentes nas três centrais existentes no país com quadro próprio: São José dos Pinhais (PR), São Paulo e Salvador. O banco anunciou que serão contratados 90 bancários imediatamente. As vagas preenchidas por essas contratações serão na unidade paulista.

“A notícia é importante para os sindicatos e os funcionários, que estão trabalhando em condições precárias por falta de mão de obra. Também valoriza a mesa de negociação conquistada na luta. No entanto, cobramos que o banco decida rapidamente pela contratação de mais atendentes porque, mesmo com o preenchimento de 90 vagas, ainda faltam 164 bancários e bancárias para as CABB chegarem a condição normal de atendimento telefônico para clientes de todo o país”, salienta William.

Questões importantes que o banco ficou de analisar

a) preenchimento de mais vagas de atendentes nas CABB

b) Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT)

O banco afirmou que a orientação para os gestores e áreas responsáveis pela saúde é que a CAT seja emitida sempre que identificada a doença oriunda das atividades exercidas pelos atendentes. O BB vai reorientar novamente os responsáveis pelo tema.

c) Jornada correta de 6h para todos que trabalham nas CABB

As entidades sindicais cobraram que os gerentes de grupo (Gegru) e de relacionamento devem ter jornada de 6 horas como prevê a NR 17 para todos os trabalhadores de teleatendimento e telemarketing. O banco apresentou a sua leitura e a divergência sobre o tema, mas ficou de avaliar e estudar a reivindicação das entidades sindicais.

d) Simplificação e aprimoramento dos sistemas de atendimento

Após os representantes dos trabalhadores apresentarem as dificuldades que os atendentes sofrem no dia a dia, devido a ter que consultar sistemas diversos do banco em portais diferentes, ficou definido que os sindicatos vão organizar junto com os bancários sugestões de melhorias para que o banco posteriormente veja a viabilidade de integração de alguns sistemas. Mas o banco também afirmou que essa simplificação depende de viabilidade tecnológica.

e) Pausa mínima entre atendimentos

O banco ficou de verificar como está o sistema e se há ou não algum mecanismo de pausa mínima nos programas das centrais.

f) Cumprimento dos itens 5.4.5 e 5.7 do anexo II da NR 17, definindo pausas após ligações desgastantes e para atender às necessidades fisiológicas sem que haja punição, anotação ou repercussão nas avaliações de aderência, monitoramento, competência ou desempenho, ou quaisquer outros tipos de avaliações

Após uma longa discussão sobre as dificuldades reais vividas pelos atendentes e depois de os dirigentes sindicais explicarem ao banco que não há uma “pausa específica para ligações estressantes”, o BB ficou de avaliar o tema.

g) Cada CABB tem um gestor que faz e desfaz procedimentos de sua maneira

Uma questão que foi muito cobrada por parte dos representantes dos trabalhadores da Unidade de Canais Parceiros (UCP), responsável pelas CABB, foi com relação a cada gerência de Central fazer o que bem entende, sendo que deveria haver regras claras e iguais para várias questões como, por exemplo, ascensão profissional, avaliações de desempenho etc.

h) Permitir que todos os funcionários sejam público-alvo nas provas de CPA 10 e 20

O BB ficou de avaliar a possibilidade de CPA 20 para os Gegrus, porém alegou que a reivindicação citada já foi discutida em mesa de negociação e que há dificuldades por parte do banco para estender para todos os funcionários de forma geral o direito de certificação.

Mais contratações

Na negociação, a Contraf-CUT fez também uma dura cobrança com relação à pouca vontade da direção do BB na contratação de concursados para suprir cerca de 6 mil vagas não preenchidas nos locais de trabalho do país, o que está levando os funcionários do banco a trabalharem em condições precárias, prejudicando o atendimento à população brasileira e adoecendo os trabalhadores. As entidades sindicais exigiram maior celeridade nas contratações.

“Nós conquistamos na luta em 2013 a contratação de 3 mil bancários. E sabemos que o número é insuficiente. No entanto, o BB deu posse a 2.372 concursados até março. Além de agilizar as chamadas, queremos que a direção do banco contrate mais bancários porque a necessidade é obvia para atender às necessidades mínimas para execução dos serviços, sejam eles nas áreas meio, sejam nas agências ou nas centrais que lidam com o atendimento telefônico. Não é inteligente o banco ficar com falta de funcionários e recebendo reclamações de mau-atendimento e aumentar os afastamentos de bancários por adoecimento”, criticou William.

Reestruturação

Ainda foi cobrado que o BB mais uma vez começou uma reestruturação – agora na Dijur – e não contatou as entidades sindicais para tratar do tema que envolve a vida de dezenas de funcionários. O banco ficou de informar melhor sobre o processo na próxima semana.

Avaliação

“A Contraf-CUT e as entidades sindicais têm feito um grande esforço de qualificar as mesas de negociação por parte da representação dos trabalhadores. Tem sido assim nas rodadas com a Fenaban, tanto das campanhas nacionais para a renovação de convenção coletiva quanto nas mesas específicas”, avalia William.

“Essa mesa temática sobre as CABB não foi diferente. Os bancários merecem essa qualidade técnica nas discussões com os bancos. Nós mostramos que é possível o BB atender várias reivindicações dos trabalhadores das centrais de maneira a haver um ganho nas condições de trabalho e isso se reverter também para o BB de forma positiva”, finaliza o diretor da Contraf-CUT.

Fonte: Contraf-CUT