Crédito: Seeb Rio de Janeiro
Seeb Rio de Janeiro

Presa e torturada na ditadura, a sindicalista recebeu também flores 

A ex-presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e que também presidiu a extinta Confederação Nacional dos Bancários (CNB-CUT), embrião da Contraf-CUT, Fernanda Carisio, foi uma das 16 mulheres homenageadas no dia 31 de março na primeira edição do Prêmio Cedim (Conselho Estadual dos Direitos da Mulher), pela participação na luta contra a ditadura militar. A homenagem fez parte da solenidade “As mulheres na resistência à ditadura”, no Espaço Cultural Heloneida Studart, atividade que lembrou os 50 anos do golpe civil-militar.

Durante a homenagem, a presidente do Cedim, Marta Dantas, ressaltou que o evento é uma forma de divulgar a história de mulheres que atuaram na resistência ao regime militar. “Mulheres procuradas, que tiveram que sair do Brasil, mostraram que, mesmo sem a retaguarda masculina, se posicionaram como guerreiras”, enalteceu Marta. 

Fernanda Carisio foi militante do Movimento de Emancipação do Proletariado (MEP), uma das organizações de esquerda que teve papel importante na luta contra o regime de exceção. A ex-dirigente sindical foi presa e torturada pelos órgãos de repressão, no Rio.

Ditadura nunca mais

Com o slogan “Mulheres na Resistência à Ditadura”, a primeira edição do Prêmio Cedim homenageou Aglaete Nunes, Ana Rocha, Arly Amorim, Dilcéia Quintela, Elza Moneratt (in memoriam), Fernanda Carisio, Glória Márcia Percinoto, Jessé Jane, Luíza Martins, Margarida Pressburger, Maria Augusta, a Guta (in memoriam), Maria Célia Vasconcelos, Maria Prestes, Regina Toscano, Vitória Grabois e Zulmira Fernandes.

A deputada estadual do PT, Inês Pandeló, prestigiou a solenidade e fez parte da mesa com Helena Piragibe (Secretaria de Políticas para as Mulheres do Rio), Maria Claudia Ribeiro (historiadora), Clara Machado (escritora), Marcilene Souto (Secretaria de Políticas para as Mulheres de Niterói) e Conceição Santos (Cedim).

Além de Fernanda, entre as 16 bravas companheiras homenageadas estão quatro grandes militantes comunistas que tiveram um papel importantíssimo na luta pela redemocratização do país: Ana Rocha (secretária municipal de Políticas para as Mulheres do Rio de Janeiro); Dilcéia Quintela, dirigente estadual do PCdoB e secretária municipal de Ciência e Tecnologia de Belford Roxo; a advogada Aglaete Nunes; e, in memorian, a grande militante comunista Elza Monerat.

Punição aos torturadores

Para Fernanda Carisio, a importância da homenagem foi lembrar dos horrores da ditadura militar para que este tipo de regime nunca mais volte a ser implantado no país. 

A ex-presidente da CNB-CUT disse ainda que, apesar da perseguição a diversos dirigentes e militantes bancários, entre eles mulheres, como a também homenageada Glória Percinoto e outras, os que sobreviveram continuaram na luta, fortalecendo o Sindicato e mobilizando a sociedade pela redemocratização. 

Ela ainda fez questão de lembrar do ex-presidente do Sindicato, Aluísio Palhano, preso, torturado e morto durante a ditadura. “Vamos continuar cobrando a punição dos executores”, afirmou.


Fonte: Seeb Rio de Janeiro