Foto arquivo: Banco Central

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A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro criticou duramente na noite desta quarta-feira (19) a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de manter a taxa básica de juros (Selic) em 14,25% ao ano.

Segundo a entidade, o aprofundamento da recessão no último trimestre detectada nos dados do IBGE e o crescimento alarmante do desemprego exigiriam uma redução imediata dos juros bancários para possibilitar o reaquecimento da economia e a retomada do crescimento.

“Essa taxa de juros tão alta inviabiliza o investimento produtivo na economia brasileira e ao mantê-la neste patamar o governo interino de Michel Temer persiste em transferir recursos de toda a sociedade para os bancos e para os grandes investidores” afirmou Roberto von der Osten presidente da Contraf-CUT.

Em 2015 o governo gastou o equivalente a 8,5% do PIB brasileiro com juros da dívida, num montante de R$ 501 bilhões. Esses recursos são drenados do orçamento público para as mãos, principalmente, de bancos e fundos de investimento, entre outros detentores de títulos.

Outro impacto nefasto dessa taxa de juros tão elevada é sentido pela população em geral, pois, ela baliza todos os demais juros cobrados pelos bancos, os quais já são absurdamente altos. A última pesquisa da ANEFAC (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), de junho de 2016, mostra que os juros do cartão de crédito de Pessoa Física chegam a 447,44% ao ano e os juros do cheque especial chegam a 286,27% ao ano.

“Esse cenário propicia um aumento do endividamento das famílias, consequentemente a demanda diminui e isso acaba gerando mais desemprego, em um ciclo vicioso que vai parando a economia”, concluiu o presidente da Contraf-CUT.

Fonte: Contraf-CUT