17/08/2016

 

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De acordo com o Dieese, 64% dos bancários que esporderam a Consulta Nacional está entre 21 e 40 anos - Contraf-CUT

De acordo com o Dieese, 64% dos bancários que esporderam a Consulta Nacional está entre 21 e 40 anos

Reunião de planejamento da Secretaria estuda formas de trazer inovações ao movimento sindical  –  Mais espaço para juventude. Essa é a principal reivindicação dos dirigentes sindicais que participam Encontro de Planejamento da Secretaria Nacional de Juventude da Contraf-CUT, que começou nesta quarta-feira (17), na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, na grande São Paulo.

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A Consulta feita com os bancários este ano, para a Campanha Nacional 2016, reforça que a categoria é formada por jovens, em sua maioria. De acordo com o Dieese, a faixa etária, de 64% dos entrevistados, está entre 21 e 40 anos. “Nós percebemos que além de ter poucas mulheres, menos de 30%, também temos poucos jovens nos cargos diretivos das entidades sindicais da categoria, que hoje são representados por menos de 15%. O objetivo é a gente poder empoderar os jovens e dar mais capacitação, principalmente, na questão do nosso ramo para tentar fazer as transformações das direções dos sindicatos e federações”, afirmou a Secretária da Juventude da Contraf-CUT, Fabiana Uehara.

Pela manhã, os dirigentes sindicais do ramo financeiro de todo o país assistiram palestras sobre a atual conjuntura econômica e política do Brasil e a reestruturação produtiva em curso nos bancos que afetam e afetarão o jovem trabalhador bancário.

Severine Macedo, ex-secretária nacional de Juventude do Governo Federal, foi uma das palestrantes do evento. Ela ressaltou como o processo formativo é uma necessidade para o movimento sindical na atual conjuntura. “A gente tem que qualificar o entendimento da realidade e se preparar para atuar nela. E no momento da atual conjuntura se torna ainda mais fundamental. Vivemos um período de crescimento, inclusão, fortalecimento das pautas dos trabalhadores, com várias conquistas sociais e o golpe que a gente está vivendo coloca tudo isso em cheque. A gente vive um período de recessão, que nos coloca várias questões de atualização e de reorganização para luta. Juventude não é mais importante nem menos importante, ela é necessária. Temos de entender isso.”

A secretária de Jovens Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais da Contag, Mazé Morais, também palestrou. Ela afirmou que a unidade é fundamental para a juventude sindical avançar. “A gente precisa ter unidade. É a unidade entre nós que fará avançar nas conquistas da juventude e impedirá o retrocesso que o golpe tenta nos impor.”

Para Lucimara Malaquias, dirigente sindical dos Bancários de São Paulo, que participa do curso, é momento de repensar, reavaliar e se reorganizar. “É o primeiro momento de enfrentamento que vivo dentro do movimento sindical. Tenho 26 anos, sou prounista e desfruto das conquistas das gerações anteriores. Porém, acredito que nem tudo está perdido. É um cenário que nos abre oportunidade de se reiventar e criar caminhos novos. Temos exemplos, como os secundaristas do Estado de São Paulo, que conseguiram desmoralizar um grupo ideológico que está no poder há 20 anos. As coisas estão acontecendo, talvez não na velocidade que queríamos, mas estão.”

Na parte da tarde, os participantes ouviram as experiências de organização e o empoderamento dos jovens no movimento sindical cutista. Para Gustavo Pádua, secretário nacional da Juventude da UGT e membro do Comitê da Juventude da Confederação Sindical das Américas (CSA), essas iniciativas de planejamento voltada para a juventude são extremamente importantes. “Há muito a gente vem falando sobre a necessidade da juventude assumir certos espaços dentro das estruturas, não só espaços formais, direções, mas que a pauta da juventude seja incorporada dentro das ações. Então poder juntar, num momento tão importante como esse, de Campanha Nacional, ter o compromisso de um conjunto de pessoas, dos mais diversos estados, de discutir como fortalecer dentro dos espaços da Contraf-CUT esse trabalho de juventude, mostra –  com certeza – que o que se fala do fortalecimento de juventude está saindo um pouco do discurso e tá indo para a prática mesmo.”

Regina Camargos, economista da subseção do Dieese na Contraf-CUT, valorizou a importância da atividade. “Essa atividade que está sendo feito é transgressora. Eu achei fantástico bancarem isso. O papel do jovem é transgredir, questionar alguns valores que estão arraigados e descontruir as hierarquias artificiais. Repensar alguns valores e algumas práticas, pois senão não abriremos espaços para novas ideias.”

Letícia Mariano, secretária-geral do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e participante, afirmou que é um debate muito importante, pois dentro do movimento sindical há um conservadorismo muito grande. “Mas temos uma juventude que quer debater questões que antes não eram debatidas, como o LGBT. Precisamos primeiro entender com quem estamos lidando, depois trabalhar neste diálogo e estudar como fazê-lo.”

No final do dia, os representantes fizeram a leitura do texto: “Juventude, sindicalismo e o mundo do trabalho”, de Ana Lidia Aguiar.

Nesta quinta-feira (18), os jovens se reúnem para definir o plano de ações das atividades da Secretaria de Juventude da Contraf-CUT para o curto, médio e longo prazo.

Escola Nacional Florestan Fernandes

A Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) é um centro de educação e formação, idealizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)

Inaugurada em janeiro de 2005, a escola foi nomeada em homenagem ao educador Florestan Fernandes, incentivador do trabalho coletivo e permanente defensor do ensino público, gratuito e de qualidade para todos. A escola é considerada como um elemento de grande importância para o processo de formação da militância do MST e outras organizações.

A escola promove cursos formais e informais voltados para a produção, comércio e gestão dos acampamentos e assentamentos. Segundo estimativa do MST, já passaram pelas suas salas de aula cerca de 6000 estudantes (dados de 2015). Os cursos, em diversas áreas, estimulam a capacidade crítica das pessoas e o desenvolvimento de conhecimento para a construção de um projeto popular para o Brasil. A grande diferença em relação às demais escolas é que, após passar pela ENFF, os alunos voltam para a sua comunidade rural e utilizam na prática o que aprenderam no banco escolar.

Ernesto Izumi, secretário de Formação da Contraf-CUT, e um dos responsáveis pela escolha do local, revelou que o objetivo é “fazer a integração de campo e cidade. Propiciar que os dirigentes sindicais saiam do nosso mundo bancário. A gente é cidadão do mundo, então precisamos expandi-lo. Nada melhor que esta oportunidade.”

Fonte: Contraf-CUT