terça-feira, setembro 18, 2018
Home > Campanha Nacional > Campanha Nacional 2018 > Bancos frustram primeira negociação e adiam resposta sobre assinatura do pré-acordo para dia 12

Bancos frustram primeira negociação e adiam resposta sobre assinatura do pré-acordo para dia 12

Comando Nacional cobrou ultratividade da CCT, mas Fenaban não trouxe resposta para o pré-acordo que garantiria direitos; próxima rodada será 12 de julho Diante de um Comando Nacional dos Bancários que se deslocaram de todo o Brasil até São Paulo para a primeira rodada de negociação da Campanha 2018, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) frustrou os debates nesta quinta-feira (28).

“Viemos para a mesa com disposição total de negociação e a expectativa de sair com um pré-acordo assinado, garantindo os direitos dos trabalhadores, como vales refeição, alimentação, auxílio-creche/babá, mas isso foi frustrado pela postura dos bancos que não deram resposta nenhuma ao assunto”, critica a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, coordenadora do Comando.

A dirigente destacou que, em anos anteriores, o pré-acordo que garantia a ultratividade sempre foi respeitado. Ele foi apresentado à Fenaban no dia da entrega da pauta, em 13 de junho. “Este ano sequer garantiram que isso será feito na próxima negociação. Reforçamos que essa é uma prioridade dos bancários”.

A atual CCT e os direitos nela previstos têm validade somente até 31 de agosto, já que a data base da categoria é 1º de setembro. Por isso, a ultratividade é uma prioridade para a categoria, principalmente diante da vigência da legislação trabalhista do pós-golpe que autoriza a retirada de direitos. A lei 13.467, de novembro de 2017, foi gestada e aprovada pelos empresários, dentre eles os bancos.

“Essa primeira rodada de negociação só confirmou a importância da mobilização dos bancários na defesa da CCT e da mesa única de negociação”, avalia. “Queremos negociação com seriedade. Nossa CCT está em risco, assim como todos os direitos da categoria, inclusive nossa PLR e a mesa unificada nacional entre bancos públicos e privados”, alertou a dirigente.

De janeiro a maio de 2017, foram 13.665 acordos e 1.985 convenções. Esse ano, com a mudança na lei, no mesmo período foram 3.782 (menos 72%) acordos e 327 convenções no país (menos 84%), segundo dados do Boletim Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

O Comando apresentou uma proposta de calendário com datas para as próximas rodadas de negociação, mas os bancos marcaram somente para 12 de julho pela manhã, diante de dificuldades colocadas pela agenda dos negociadores.

“Deixamos com eles nossa proposta para que avaliem um calendário e reafirmamos nossa disposição de negociar”, reforçou Juvandia.

Para Marcelo Alves, presidente do Sindicato dos Bancários da Paraíba e membro do Comando Nacional dos Bancários, os representantes dos bancos agiram com mesma mesquinhez que é peculiar aos banqueiros, embromaram e não assumiram nenhuma garantia em assinar o pré-acordo, mantendo nossos direitos convencionados. E, com o álibi de que vão consultar os bancos, disseram que darão retorno na rodada do dia 12.

“Na prática, não temos a garantia nem a certeza de que, de fato, os banqueiros irão assinar o pré-acordo. E mesmo não sendo nenhuma novidade essa frieza na primeira negociação da campanha, ficamos desapontados com a falta de sensibilidade dos banqueiros, que lucram uma fábula a cada ano e que chegam a pagar até R$ 40 milhões por ano a um presidente de banco, mas não acatam sequer o nosso calendário de negociação, se limitando a marcar apenas a próxima rodada para o dia 12 de julho. Fizeram elogios ao modelo de negociação com mesa única, mas não acreditavam que fôssemos seguir esse modelo na campanha deste ano. Daí a necessidade de ampliarmos a mobilização, ficarmos atentos e nos prepararmos para uma luta bastante árdua, pois os nossos patrões são justamente os financiadores do golpe na democracia e da reforma trabalhista que acabou com a ultratividade. Não temos outra saída a não ser participarmos ativamente do Dia de Luta em Defesa dos Bancos Estatais, dia 5, e reforçar as manifestações em defesa da nossa Convenção Coletiva de Trabalho, nos protestos do dia 11. Afinal, essa luta é de todos nós; Todos por Tudo!”, concluiu Marcelo Alves.

Mobilização nacional  –  Na quinta-feira (5), será realizado Dia Nacional de Luta em Defesa dos Bancos Públicos. E em 11 de julho Dia Nacional de Luta em Defesa da CCT e dos direitos da categoria. Os bancários devem usar #TodosPelosDireitos e #AssinaFenaban para ajudar a pressionar os bancos também pelas redes sociais.

Fonte: Seeb – PB, com Contraf – CUT