quinta-feira, fevereiro 21, 2019
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Amigos e parentes do alto escalão do governo são promovidos e triplicam salários

Aos amigos, tudo, aos inimigos a ‘lei’. Esta é a prática do governo de extrema direita de Bolsonaro, que promove parentes e amigos e manda demitir funcionários de carreira de governos anteriores – Mal começou a gestão e Jair Bolsonaro (PSL/RJ), que venceu as eleições presidenciais pregando em sua campanha a ‘moralização’ e o fim da suposta ‘mamata’ que ocorreria nas nomeações de governos anteriores, faz justamente o oposto do que diz o seu discurso. A indicação de amigos pessoais para cargos estratégicos das estatais é verdadeira prática de Bolsonaro ao assumir o governo.

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A primeira nomeação que chamou a atenção foi a de Antônio Hamilton Rossel Mourão, filho do vice-presidente Hamilton Mourão, para ser assessor do presidente do Banco do Brasil com salário triplicado de R$ 12 para R$ 36 mil.

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O general Mourão chegou a dizer que seu filho merecia a indicação por ter sido “perseguido” nos governos do PT. No entanto, a imprensa divulgou que Antônio foi promovido oito vezes no Banco do Brasil durante os governos Lula e Dilma.

Nessa quinta-feira (10), foi a vez de Bolsonaro indicar Carlos Victor Guerra Nagem, a quem se referiu, em 2016, como “amigo particular”, para o cargo da gerência executiva de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobras, também com um reajuste salarial três vezes maior ao que ganhava, de R$ 15 mil para R$ 50 mil por mês.

Embora os dois indicados sejam funcionários de carreira, os trabalhadores e trabalhadoras, tanto do Banco do Brasil como da Petrobras, estranham o fato do ‘salto triplo” nos salários, que não são comuns nas empresas.

Em nota, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) contesta a indicação de Nagem e diz que a Petrobras violou o Plano de Cargos e Remuneração (PCR) da estatal.

Segundo a entidade, Nagem é profissional de nível Pleno da carreira administrativa, e, segundo as atribuições de carreira do PCR, teria grandes dificuldades de ocupar uma Gerência Executiva, cujas funções estão diretamente relacionadas às atribuições dos profissionais de nível Sênior.

Como profissional Pleno, o novo gerente de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobras não poderá “representar a companhia em projetos interinstitucionais, respondendo por assuntos técnicos e zelando pela imagem institucional”.

Era dos apadrinhados?

Bolsonaro tentou minimizar a indicação do amigo pessoal à gerência da Petrobras apagando uma mensagem no Twitter, publicada às 23h16 de ontem, em que afirmava que a “a era do indicado sem capacitação técnica acabou, mesmo que muitos não gostem. Estamos no caminho certo!”. Ele ainda acrescentou à postagem a descrição do currículo de Nagem.

Meia hora depois, às 23h49, Bolsonaro retirou o trecho que se referia à capacitação técnica e publicou um novo texto: “A seguir o currículo do novo Gerente Executivo de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobras, mesmo que muitos não gostem, estamos no caminho certo!”.

O senador Humberto Costa (PT-PE) ironizou, por meio das redes sociais, a nomeação do presidente. “A era dos apadrinhados chegou. Agora, vale tudo pelos amigos e parentes”, disse, em referência às publicações feitas pelo presidente no Twitter.

Mais amigos nomeados

O governo de Bolsonaro já havia feito a nomeação de um outro “amigo” na semana passada. Alex Carreiro foi nomeado para gerir a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), após indicação de Eduardo Bolsonaro, deputado federal eleito e filho do presidente da República, de quem é amigo pessoal.

Ele foi empossado no último dia 3 e exonerado do cargo na quarta-feira (9), após conflitos sobre nomeações de cargos na entidade com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Perseguição a funcionários de carreira

Enquanto promove amigos e parentes, o governo Bolsonaro persegue funcionários de carreira que prestaram serviços a governos de diversos partidos: PDSB, PT e MDB. O ministro da Casa Civil, Onix Lorenzoni , chegou a demitir 300 funcionários da sua pasta, dizendo que queria ‘despetizar’ toda a estrutura governamental, mas teve de rever sua decisão e chamar muitos servidores de volta para que não paralisasse totalmente a máquina do governo.

CUT