quinta-feira, novembro 14, 2019
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Ativista fala sobre a grave ameaça de fechamento do Centro Cultural do BNB em Sousa

Os cortes nos projetos culturais sediados nos Centros de Cultura do BNB em Sousa e Juazeiro do Norte representam uma grave ameaça para a cultura e desenvolvimento regional. É o que analisa César Nóbrega, ativista cultural e um dos precursores na criação do Centro Cultural de Sousa. Em entrevista ao Brasil de Fato, o ativista criticou a decisão, salientando que é mais um retrocesso provocado pelo governo de Jair Bolsonaro. O Centro Cultural do Banco do Nordeste, em Sousa foi inaugurado em 25 de junho de 2007, durante governo Lula.

No último dia 26 de junho, a notícia do fechamento dos Centros Culturais do Banco do Nordeste (CCBNB) surpreendeu à população nordestina e interiorana, que se beneficia desses instrumentos de popularização da cultura brasileira.  O anúncio impactou as três unidades do CCBNB, em Fortaleza, Juazeiro do Norte e Sousa (PB), e provocou reação da população.

O Governo Bolsonaro anunciou um corte considerável no orçamento do Centro de Sousa, que passou de R$ 100 mil/mês para R$ 30 mil/mês. Em seguida, surgiu o anúncio de suspensão de atividades a partir de julho para “ajustes” de agosto a dezembro.

Confira a entrevista:

BdF – PB – Como surgiu o Centro Cultural do BNB de Sousa?

César Nóbrega – O Centro Cultural surge da ideia do ex-presidente do BNB, Roberto Smith, na época do governo Lula. Aqui em Sousa, o Banco do Nordeste funcionava em um prédio de primeiro andar e na época do governo Color, ele vendeu esse espaço e o reduziu apenas a parte térrea e vendeu o primeiro andar à Prefeitura. Quando assumiu o governo Lula, já existia o Centro Cultural, em Fortaleza, e ele quis expandir os centros culturais no Nordeste, principalmente nas cidades médias e pequenas. Em 2003, o ex-presidente, Roberto Smith, disse que queria criar o Centro Cultural em Sousa e tratou de negociar com a Prefeitura a retomada do prédio para o BNB. Em 2007, ele foi entregue e assim foi criado o Centro Cultural do BNB em Sousa. Doze anos se passaram e o Centro Cultural é importante para toda a região. É um centro de cultura para toda essa região. Sousa tem 70 mil habitantes, Cajazeiras tem entre 65 e 68 mil habitantes, tem outras cidades próximas, eu acho que ele atende mais de 200 mil habitantes aqui nessa grande região de Sousa. É um centro onde temos uma grande biblioteca, teatro de multiuso, onde funciona cinema, palco para apresentação de peça teatral, debates. Temos biblioteca virtual, temos uma grande sala de exposição, uma biblioteca com mais de 40 mil livros. Já foram apresentadas mais de 6.700 atividades entre teatro, música, lançamentos de livros, apresentação de exposição. É uma referência, é instrumento que liberta, é um instrumento que leva a formação do cidadão, é um instrumento de cidadania.

Como a população utiliza esse espaço?

O Centro Cultural é muito bem frequentado, toda apresentação é gratuita e ele é frequentado, justamente, pela camada média e pobre da população, que não tem condições de pagar em qualquer espaço para assistir qualquer apresentação, então é um espaço democrático, libertador, porque lá você pode ter acesso à biblioteca, acesso a teatro, aos cursos que são oferecidos, seja na parte de teatro, cinema, digital, além dos empréstimos de livros, então a população tem acesso a essa casa de cultura, o seu fechamento é uma perda para a futura geração e como um instrumento de cidadania.

Por que Bolsonaro quer fechar os centros culturais? O que isso significa?

É bom deixar claro que essa medida de diminuição da programação ao seu fechamento, ela vai além de decisão burocrática, ou de diretoria de banco, é uma decisão política-ideológica, é uma decisão de um presidente da República, de um governo que não interessa a ele que o povo se liberte, que o povo construa uma visão de mundo, uma visão crítica, então aquilo que leva a uma libertação do povo e conscientização, não interessa a esse governo. Já temos conhecimento de que depois vem Caixa e outros espaços de cultura, achando que esse não é o papel de um banco, então essa medida casa com a decisão de um governo fascista, neoliberal do Bolsonaro. O Banco do Nordeste teve um lucro fabuloso em 2018, com mais de 725 milhões, então não é uma questão orçamentária ou em razão em virtude de diminuição de despesa, é uma decisão política ideológica.

Qual foi a reação da população local, diante da notícia do fechamento do Centro?

A reação é de surpresa e indignação. Surpresa por alguns e indignação daqueles que tem a clareza de que é uma medida cruel, fascista, ditatorial e desrespeitosa à população. Estamos reagindo, mobilizando a população, dizendo para ela a importância e significado desse centro e que a gente não pode permitir que ele venha a fechar. Estamos mobilizando não só a sociedade, mas estamos chamando e convocando os deputados em nível estadual, vereadores, prefeitos, deputados federais para que possa vestir essa camisa de luta e de resistência pelo não fechamento.

Quais as providências vocês estão tomando?

A providência é de mobilização, é de resistência, é de luta, estamos tanto atuando na mobilização, chamando o povo para enfrentar, para estar frequentando o espaço, para estar ocupando o espaço, como também é de pressão e de resistência junto ao setor político, aos deputados, ao governo do estado da Paraíba. Estamos atuando em conjunto com o Ceara, já que temos um centro e o Ceará tem dois, um em Juazeiro e outro em Fortaleza e o caminho é esse, de muita resistência e de ação.

Brasil de Fato/ Seeb-PB