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O diretor do BC acredita que a nova realidade obrigará o mercado a se consolidar. Os bancos podem usar o instrumento da cessão de carteira, mas não devem depender apenas desse mecanismo para se capitalizar. Terão de encontrar novos negócios e, se possível, associar-se a outros atores. "Esses bancos [pequenos e médios] precisam aumentar o capital para reter parte do crédito que originam. É isso que vemos nesse movimento de consolidação".
Meirelles assegurou que no Brasil, ao contrário do que ocorreu nos Estados Unidos e na Europa no pós-crise, o Banco Central não vai interferir nas negociações. "Nós acompanhamos, mas não são movimentos que precisem ser orquestrados pela autoridade financeira, como é o caso dos EUA, da Espanha e de outros países europeus", afirmou. Segundo ele, apesar dos problemas ocorridos no pós-crise, são poucos os bancos que necessitam fazer ajustes. Os que precisam "têm plenas condições de se adaptar apenas retendo mais resultado".
Os sete maiores bancos brasileiros respondem por 81% dos ativos, enquanto os médios – 36 instituições – ficam com 16%. Dados oficiais referentes a março mostram que as 95 instituições restantes têm apenas 3% dos ativos. "Esse é um nível de concentração normal na indústria bancária", assinalou Meirelles. Ele disse que, apesar da consolidação esperada, o número de bancos deve aumentar no país nos próximos anos, devido ao interesse de instituições estrangeiras em atuar no mercado nacional.