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Plínio defende que o assédio moral não é simplesmente uma questão de personalidade de quem o pratica, mas sim resultado da forma como o trabalho está organizado. Para explicar tal relação, o diretor da Contraf-CUT faz um recorte histórico. Segundo ele, até meados da década de 1990 a grande vilã dos bancários era as Lesões por Esforço Repetitivo (LER). "Depois começamos a perceber que a grande queixa, junto com a LER, passou a ser o sofrimento mental, como síndrome do pânico e a depressão, chegando até a casos de suicídio, resultantes de um cotidiano cheio de pressões".
A aparição das doenças mentais, avalia Plínio, se relaciona com a reestruturação produtiva ocorrida na década de 1990. "Antes os bancos lucravam com a inflação. Quando ela passou a ser controlada, os bancos tiveram que rever a forma de obter lucros. Hoje, quando o foco tornou-se a venda de produtos, as metas passaram a ser as grandes vilãs da saúde do trabalhador", resume Plínio.
Além da pressão, os bancos não investem na prevenção de acidentes e doenças. "Os banqueiros a cada ano incrementam sua rentabilidade e se apropriam de todos os resultados. Sequer investem minimamente na prevenção de acidentes e doenças de seus funcionários. O custo social desta postura acaba sendo maior. Vemos cada vez mais trabalhadores incapacitados precocemente", afirma o diretor da Contraf-CUT.
É grande a discrepância entre as instituições financeiras e os demais setores da economia. O resultado foi equivalente a 23,13% do total dos lucros de todas as empresas no primeiro trimestre. Depois dos bancos, vieram as 31 empresas de energia (R$ 3,88 bilhões) e as 11 companhias de alimentos e bebidas (R$ 2,72 bilhões).
O dirigente da Contraf-CUT pondera que acabar com as metas é uma perspectiva irreal. "O trabalhador evidentemente tem um contrato de trabalho que o obriga a produzir, porém esta exigência não pode ir além da capacidade das pessoas", afirma.
Plínio reivindica que a Convenção Coletiva de Trabalho Nacional (CCT) estabeleça os limites e que as metas sejam discutidas com os funcionários de cada local de trabalho. "O funcionário, mais do que ninguém, está em condições de opinar sobre seu próprio trabalho", finaliza.
Fonte: Contraf-CUT