Encontro Estadual discute conjuntura, futuro do trabalho bancário e elege delegados para XIV Conferência Regional da Fetrafi-NE

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O Encontro Estadual foi o pontapé inicial da Campanha Nacional dos Bancários 2025 na nossa base

O Sindicato dos Bancários da Paraíba realizou, neste sábado (5),  o Encontro Estadual dos Bancários, no auditório da entidade. O evento contou com palestras do professor José Artigas, sobre a análise de conjuntura internacional e nacional, e da técnica do Dieese de São Paulo Rosângela dos Santos sobre as novas formas de trabalho, terceirização e pejotização no setor bancário. O evento também contou com a escolha de delegadas e delegados para a XIV Conferência da Fetrafi-NE.

“Nós temos amplos desafios no sistema nacional e internacional, com a reconfiguração de potências e a reemergência do imperialismo, com um novo realinhamento global e o Brasil, claro, não está fora desse contexto”, disse o professor José Artegas da UFPB, ao analisar o cenário político.

Além do aumento das tensões no âmbito internacional, exemplificado pelas guerras na Ucrânia e em Gaza, um ponto de destaque nesse novo cenário também é a China, que emerge como principal parceira comercial da América Latina, superando os EUA, que reagem com ações militares e econômicas para reverter sua influência em declínio.

No âmbito nacional, o professor também ressaltou a atual situação do orçamento discricionário do governo federal, parte do orçamento público onde o governo tem liberdade para decidir como e quando gastar os recursos, diferentemente das despesas obrigatórias, que são aquelas previstas em lei e que o governo não pode deixar de executar.

“Hoje, as despesas discricionárias, que precisam da aprovação do Câmara, ficam engessadas. Com o crescimento de partidos de centro-direita e extrema-direita, tanto na Câmara quanto no Senado, isso vira um desafio para o governo, dificultando na aprovação de projetos e a formação de coalizões. Essa dinâmica resulta em um ‘presidencialismo refém’, com o Executivo enfrentando oposição e dificuldades para implementar suas políticas”, disse.

Já a técnica do Dieese, Rosângela dos Santos, destacou a importância de se olhar para a nova estrutura do sistema financeiro para que, assim, os trabalhadores tenham sua força renovada e possam lutar por seus direitos.

Segundo ela, ao mesmo tempo em que o país passou pela desregulamentação da legislação trabalhista, houve também a intensificação das novas tecnologias, com a entrada de novos agentes autônomos de investimento. “A gente tem esse movimento global do sistema capitalista, de flexibilização, e é exatamente aí que você tem uma situação de enfraquecimento da organização dos trabalhadores”.

“A grande questão atual é pensar a categoria para além da categoria bancária, pensando no ramo financeiro, entendendo a entrada dos novos agentes e também os representando”, frisou.

O presidente do Sindicato, Lindonjhonson Almeida, ressaltou a importância do movimento dos sindicatos para a construção das forças que irão direcionar os rumos do país. “A gente sabe da grandeza do nosso movimento. Vamos fortalecer a unidade da categoria e os debates para que possamos chegar na campanha de 2026 ainda mais fortes”, disse.

Durante o Encontro, também foi ressaltada a importância de iniciativas de mobilização popular que dialoguem com as pautas discutidas, como a campanha nacional do Plebiscito Popular, que está sendo realizada em agências bancárias de João Pessoa. A ação busca ouvir a população sobre temas diretamente ligados ao cotidiano da classe trabalhadora, como a redução da jornada de trabalho sem corte salarial e a reformulação do sistema tributário, que hoje penaliza quem ganha menos. A atividade foi destacada como uma estratégia de fortalecer a democracia participativa e ampliar a pressão social sobre os poderes públicos.

Para Magali Pontes, coordenadora da mobilização pelo Sindicato dos Bancários da Paraíba, o plebiscito representa uma oportunidade concreta de envolvimento popular na luta por justiça social. “Estamos indo às ruas e às agências porque é lá que o povo vive e sente na pele os impactos da desigualdade. O plebiscito é uma forma de transformar indignação em posicionamento político, de mostrar que trabalhador não é massa silenciosa — é sujeito que pensa, vota e exige mudança”, afirmou Magali.

Escolha de delegados – O evento também contou com os delegados que irão representar a Paraíba na XIV Conferência Regional da Fetrafi/NE, que irá acontecer entre os dias 1 e 3 de agosto, em Teresina, Piauí.

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