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A secretaria de saúde do Sindicato dos Bancários da Paraíba realizou, na noite desta terça-feira (9), o VI Encontro de Bancários Afastados e Reintegrados para debater a saúde mental e condições de trabalho no setor bancário, com destaque para o uso de medicamentos.
A reunião, coordenada pelo secretário de saúde Washington Luiz, com o apoio da psicóloga Miha Maia e dos psicólogos do Núcleo de Psicologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) foi realizada na sala de reuniões da Entidade e contou com um momento interativo, no qual os participantes responderam a um Quiz (ferramenta digital dinâmica que engaja usuários sobre um tema) com afirmações de verdadeiro ou falso. A atividade, além de informativa, trouxe descontração e integração. Os primeiros colocados foram premiados e, com trocas de experiências, o grupo discutiu os efeitos, riscos e limites da medicalização.
Segundo a psicóloga Miha Maia, que acolhe, escuta e orienta bancárias e bancários que buscam o apoio do Sindicato, esta foi a primeira reunião com foco específico no uso de remédios, tema escolhido a partir de relatos trazidos pelos próprios bancários e de uma pesquisa realizada pelo Sindicato, respondida por mais de 100 trabalhadores. “O uso de medicação era realizado por mais de 80% das pessoas que participaram da pesquisa. Além desse número altíssimo, nas nossas conversas sempre surgia o assunto da medicalização”, relatou a psicóloga.
Miha destacou também que relatos impressionaram pela quantidade de remédios utilizados simultaneamente. “Teve pessoa que disse tomar 19 medicamentos. Outra mencionou sete. Há também quem tome remédio pela manhã, à tarde e à noite. É muito comum. Em muitos casos, o bancário sequer tem espaço de escuta: o psiquiatra prescreve a medicação imediatamente. Isso mostra como o trabalho está adoecendo cada vez mais e a solução individual não se sustenta”, avaliou a profissional.
Um dos participantes, bancário com 35 anos de profissão e reintegrado atualmente, reforçou a importância da iniciativa. “Eu estava em outra cidade, mas vim para prestigiar, porque esses encontros mudaram minha visão. Antes, eu não sabia o que acontecia, ficava separado. Quando vim pela primeira vez, me senti acolhido e supriu necessidades que eu tinha de conversar com pessoas e perceber que outros sentiam o mesmo”, afirmou.
Ao refletir sobre o adoecimento na categoria, ele ressaltou: “A pressão dentro do banco é muito grande. Os gestores não aliviam. Se você não entrega resultado, vêm as ameaças. Isso é real dentro de todas as agências.”
A psicóloga destacou ainda que o grupo, além de ser espaço de acolhimento, tem importância política. A partir dos encontros realizados este ano, está sendo construído um relatório que será encaminhado ao Ministério Público do Trabalho. “Aqui, além da troca e do apoio, há entendimento do poder que os bancários têm ao se organizar coletivamente. Esse trabalho é semente para transformações futuras”, destacou Miha.
Whashington Luiz avaliou positivamente o encontro pela escolha do tema e pela crescente participação da base. “Estamos felizes com a realização desses eventos, que vêm crescendo a cada edição. O tema para a conversa de hoje, medicalização, já citado por Miha, foi escolhido porque o uso de medicamentos sem prescrição médica foi o assunto mais evidenciado por bancárias e bancários na pesquisa realizada em 2024. Destacamos a participação de um gerente geral no encontro desta noite, que falou sobre a importância dessas rodas de conversa em que se sente acolhido e fica à vontade para compartilhar as experiências vivenciadas nos locais de trabalho com outros profissionais na mesma situação. Essa participação ampla nos motiva ainda mais em seguirmos em frente com o nosso projeto apoiado pelos profissionais do Núcleo de Psicologia da UFPB e encerramos a etapa dos encontros em 2025 com o sentimento do dever cumprido”, concluiu.





