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"O sistema financeiro, que lucrou mais de R$ 27,4 bilhões no primeiro semestre deste ano, precisa ajudar o país a transformar o crescimento econômico em desenvolvimento, promovendo distribuição de renda, gerando mais e melhores empregos e tendo uma relação de mais respeito com clientes e usuários. Está na hora de os bancos pararem de procurar brechas e enganar os clientes apenas visando aos próprios lucros", critica o secretário de Organização do Ramo Financeiro, Miguel Pereira.
Nos dois anos, de acordo com a denúncia, seis tarifas indevidas incidiram sobre o limite dado ao cliente no cheque especial, sobre o crédito rotativo e o refinanciamento de cartões de crédito. O Santander também repassou aos clientes os custos do próprio banco na realização de operações de crédito e arrendamento mercantil.
De acordo com o procurador, os bancos só aceitaram entrar em acordo com o Banco Central para devolver parte do valor das tarifas. "Quatro dessas tarifas, os bancos aceitaram devolver parcialmente, somente a partir do momento em que o Banco Central determinou que eles encerrassem a cobrança", afirma o procurador.
O procurador Cláudio Gheventer entrou com ação civil na Justiça do Rio de Janeiro em junho deste ano para obrigar os bancos a ressarcir em dobro o valor total devido aos clientes, acrescido de um montante referente a danos morais.
Após a queda da inflação, com o Plano Real, em 1994, a receita de prestação de serviços passou a ter cada vez mais importância como fonte de lucro dos bancos, já que as instituições financeiras deixaram de lucrar com a inflação galopante. De acordo com Miguel, quando a inflação passou a ser controlada, os bancos fizeram uma revisão na forma de obter resultados. Hoje, o foco tornou-se a venda de produtos e os ganhos com tarifas e serviços. "O problema é que quem paga pelos abusos dos bancos é a sociedade, são os clientes", ressalta o dirigente sindical.
Papel do BC
Na opinião do deputado Dimas Ramalho (PPS/SP), o BC deveria obrigar bancos privados e públicos a restituir aos clientes as tarifas cobradas indevidamente. De acordo com entendimento do setor jurídico do próprio Banco Central, a instituição deve apenas mandar suspender a cobrança indevida, mas não exigir a devolução dos valores cobrados irregularmente.
"Isso é um absurdo. O BC na qualidade de agência de controle do Sistema Financeiro Nacional, deveria determinar o ressarcimento dos clientes, como fazem as demais agências de controle e comissões públicas", afirma o dirigente sindical.
"Nós queremos o BC forte. Qual o órgão do Brasil responsável por fiscalizar, impor normas, exigir o cumprimento de normas? É o BC. Na medida em que o próprio jurídico do BC abre mão da sua tarefa de solicitar devolução, abre mão do direito que ele tem – que nós, deputados, demos ao BC. Eu lamento profundamente. Quem perde com isso é o BC e o consumidor, que, infelizmente, mais uma vez, teve o seu dinheiro retido ilegalmente", afirma Ramalho, autor de requerimento de audiência pública, na Comissão de Direito do Consumidor da Câmara, para tratar sobre o assunto.
Fonte: Contraf-CUT, com informações Agência Câmara