Trabalhadores vão às ruas no dia 10 de agosto pelo fim da escala 6x

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Contraf-CUT fortalece chamada de centrais sindicais: proposta é fortalecer pressão sobre o Senado, na data que marca o retorno das atividades do Congresso Nacional

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) reforça a chamada da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e demais centrais sindicais para que trabalhadores e trabalhadoras realizem, na próxima segunda-feira (10), manifestações em todo o país pelo fim da escala 6×1.

O Congresso Nacional retomará no mesmo dia suas atividades, após o período de recesso. Assim, o objetivo dos movimentos sociais com as manifestações é reforçar a pressão para que o Senado vote a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 221/19, já aprovada na Câmara dos Deputados, e que determina a redução da jornada de 44h para 40h semanais e a garantia de dois dias semanais de descanso remunerados sem redução salarial.

A pauta ganha urgência diante da articulação de cerca de 40 senadores que tentam derrubar a PEC 221 a partir de uma proposta alternativa (PEC nº 12/2026) e que ganhou dos movimentos sociais os apelidos de “PEC das Horas Trabalhadas” ou “PEC da Escravidão” porque, além de não garantir o descanso semanal, cria o regime de pagamento por horas trabalhadas e diminui verbas rescisórias como férias, 13º salário e FGTS.

Bem-estar da população no centro do debate sobre o trabalho

Os dirigentes da Contraf-CUT defendem que a mudança da escala é, antes de tudo, questão de saúde pública, diante de pesquisas que mostram que a escala 6×1 é exaustiva e adoece a classe trabalhadora. Logo, o estabelecimento de uma escala com período maior de descanso é fundamental para garantir a saúde física e mental, além de fortalecer laços sociais e de convivência com familiares e de promover melhorias do status social, por permitir que o trabalhador tenha mais tempo livre para os estudos.

Todos ganham com essa mudança

O movimento sindical também desconstrói o argumento de que a redução de horas traria prejuízos à economia indicando que experiências internacionais e em empresas brasileiras mostram que a redução da escala 6×1 melhora a produtividade, porque trabalhadores menos sobrecarregados e com melhor qualidade de vida produzem com mais eficiência, inovação e com muito menos índices de absenteísmo e adoecimento ocupacional.

Pressão total sobre o Senado e dados do mercado

A proposta original conta com o respaldo de mais de 70% da população em pesquisas de opinião e ganha o reforço das ferramentas de mobilização digital. A CUT e a Contraf-CUT incentivam o uso da plataforma Na Pressão (napressao.org.br), onde é possível verificar o posicionamento de cada senador (a favor, contra ou indeciso) e enviar mensagens diretamente aos gabinetes.

Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) reforçam a necessidade da mudança no Brasil:

 

•             Jornadas extensas: 64% dos trabalhadores formais e 75% dos contratados via CLT cumprem mais de 40 horas semanais. Cerca de 20 milhões de pessoas trabalham entre 45 e 48 horas (ou mais) por semana.

•             Deslocamento: Além da jornada formal, 8,7 milhões de trabalhadores gastam mais de uma hora diária no transporte para ir e voltar do trabalho, sendo que 1,3 milhão leva mais de duas horas no trajeto.

•             Média nacional: A média de horas trabalhadas no país é de 39,1 horas semanais. Setores mais eficientes e tecnológicos já operam com jornadas entre 33 e 40 horas sem perda de rendimento.

*Com informações da CUT 

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