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Para o professor de Administração da ESPM, André Accorsi, a provisão consiste em uma reserva para deteriorações futuras, que pode ser utilizada para outras finalidades caso não haja elevação do calote.
O presidente da agência classificadora de risco Austin Rating, Erivelto Rodrigues, concorda que as instituições aguardam problemas. "O crédito deve crescer e a inadimplência deve subir marginalmente. Se complicar, podem utilizar esse saldo. Também não sabem qual será a profundidade e impactos no Brasil da crise externa. Então se preparam para um aumento da inadimplência".
O Bradesco elevou o saldo em 19,2% em setembro de 2011 ante 2010, de R$ 16,019 bilhões para R$ 19,091 bilhões. "O que teve uma política mais agressiva foi o Bradesco, o que penalizou o resultado. Mas fica protegido para qualquer problema e, se não tiver, pode realizar uma conversão e gerar resultado", explica Rodrigues. O especialista se refere ao crescimento no lucro de 1,1% no trimestre, para R$ 2,815 bilhões.
O diretor e vice-presidente de Relações com Investidores do Bradesco, Domingos Figueiredo de Abreu, explicou: "Para os próximos meses trabalhamos com inadimplência estável, mas é salutar elevar a provisão em cenário de incertezas". O índice total de inadimplência chegou a 3,8% e as despesas de provisão, que compõem o saldo, elevaram 35,4%, para R$ 9,125 bilhões.
O Santander também elevou o saldo da provisão em 29,8% na comparação anual, para R$ 11,423 bilhões, de acordo com o padrão contábil Br Gaap. "O Santander enfrenta alguns problemas na Europa e é natural que no Brasil também fique mais conservador", observa o professor André Accorsi. Já as despesas com PDD cresceram 39,1% no mesmo período, para R$ 8,698 bilhões.
Oposto aos concorrentes, o Itaú Unibanco não apresentou significativa expansão nas provisões, de 6,2% em setembro de 2011 ante o mesmo período de 2010, de 23,284 bilhões para R$ 24,719 bilhões.
Durante a apresentação do balanço, Rogério Calderón, diretor-corporativo de Controladoria, explicou que a antecipação às perdas já havia sido realizada no segundo trimestre e que o índice de inadimplência, em 4,7%, confirmou a expectativa. "Se estivéssemos esperando deterioração da carteira aumentaríamos, o que não ocorreu". As despesas, entretanto, elevaram 17,1%, para R$ 10,544 bilhões.
No entanto, a postura conservadora também apresenta aspectos negativos. Em relatório, o analista Fernando Salazar, da Fator Corretora, menciona que o resultado do Banco do Brasil, com lucro de R$ 2,9 bilhões de julho a setembro, foi aquém das projeções por conta da menor margem financeira e elevação das provisões. "Houve aumento das despesas com PDD acima do crescimento da carteira".
O saldo de PDD do BB expandiu 2,6% nos primeiros nove meses do ano, para R$ 18,611 bilhões, com despesas de R$ 8,764 bilhões, o que representa uma alta de 7,8% no mesmo período.
O impacto da elevação da provisão na margem financeira é uma opinião também compartilhada pelos analistas Marco Saravalle e Bruno Camargo, da Coin Valores. "Eleva a provisão, o que impacta na margem e cotação".
Marco Saravalle detalha que observou impacto dos resultados no comportamento das ações e Camargo complementa que um dos motivos principais está na PDD. "Até pela exigência do sistema, os bancostêm uma postura conservadora com o aumento da provisão, o que pune as margens". Os analistas complementam que essa decisão observa o cenário do quarto trimestre de 2011 e primeiros meses de 2012.
Fonte: DCI