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Os maiores desafios históricos enfrentados diariamente pela categoria bancária são decorrentes das transformações tecnológicas radicais, reestruturações trabalhistas brutais e crises econômicas sistêmicas que moldaram a atuação dos bancários ao longo das últimas décadas.
Nos anos 1990, enquanto mantinha os salários rebaixados, o governo favorecia uma profunda reestruturação do sistema financeiro nacional, impulsionada pelo Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (PROER).
As consequências foram: dezenas de bancos estaduais e privados tradicionais liquidados, privatizados ou incorporados por grandes conglomerados; centenas de milhares de postos de trabalho eliminados simultaneamente em todo o país; e a extinção de instituições públicas fragmentou conquistas históricas de acordos coletivos regionais.
A transição do trabalho manual e burocrático para sistemas digitais reduziu drasticamente a necessidade de mão de obra para funções operacionais.
Nos anos 80/90, a introdução dos caixas eletrônicos (ATMs) e da compensação eletrônica de cheques eliminou as funções de escriturários tradicionais e compensadores.
A ascensão do Internet Banking e dos aplicativos mobile transferiu o banco para o bolso do cliente, esvaziando as agências físicas. Com a chegada da Inteligência Artificial, a automação atual foca na substituição de funções de análise de crédito, atendimento básico e suporte administrativo.
Com as transações operacionais migradas para o ambiente digital, as agências físicas remanescentes mudaram completamente de escopo. A pressão comercial transformou o bancário de assistente financeiro/operacional em um vendedor de produtos (seguros, consórcios, fundos de investimento).
As cobranças severas por metas abusivas, a pressão e o assédio moral geraram o surgimento de doenças ocupacionais, como síndrome de Burnout, depressão e transtornos psíquicos, que são a principal causa do número de afastamentos do trabalho, inclusive superando as LER/Dort.
A proliferação de bancosdigitais e fintechs que operam sem agências físicas reconfigurou o mercado de trabalho a partir dos anos 2010. Grandes bancos iniciaram um processo contínuo de fechamento de pontos físicos de atendimento para cortar custos estruturais.
Muitas fintechs contratam funcionários sob o regime de “tecnologia” ou “administrativo”, privando o trabalhador dos direitos e pisos salariais conquistados pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários.
“Acrescente-se a tudo isso a ganância, a prepotência, a arrogância e a falta de humanidade dos banqueiros, que submetem a categoria bancária ao desafio de se reinventar diante do trabalho híbrido/home office, que dificulta a organização sindical, e da Inteligência Artificial Generativa, que ameaça cargos de média gerência e análise técnica. A preservação da saúde mental e a manutenção dos direitos da CCT frente a modelos flexíveis de contratação continuam sendo as principais bandeiras de luta do setor. Ainda bem que somos feitos de esperança e movidos pela luta!”, desabafou o presidente Lindonjhonson Almeida.





