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O BNDES pretende manter em alta o investimento em comunicação este ano, quando completa 60 anos, e já vê resultados da estratégia. Em dois anos, subiu 15 posições no ranking da consultoria Brand Finance das marcas mais valiosas do País. Avaliada em R$ 2,71 bilhões, a marca do BNDES está em 33° lugar, à frente de ícones do consumo como Skol, Mc Donalds e Lojas Americanas, mas ainda longe de bancos de varejo como Bradesco, Itaú e Banco do Brasil, que lideram a lista. Petrobrás e Eletrobrás também estão entre as dez mais.
Visibilidade. "Modernizamos a logomarca quando identificamos problemas de leitura e começamos a usá-la mais para tirar essa mística de que o BNDES é só para grandes empresas", conta Sérgio Carijó, assessor da presidência do BNDES responsável pela gestão da marca da instituição. Segundo ele, pesquisas mostraram que não ter agências dificulta a visibilidade do BNDES, que chega a muitas empresas em operações indiretas, intermediadas por bancos comerciais.
O BNDES quer deixar mais claro para os tomadores que o dinheiro está vindo do banco de fomento. O reforço da estratégia de comunicação conta com o envolvimento pessoal de Coutinho, incomodado com as críticas geradas pelo crescimento recente do banco alimentado por empréstimos vultuosos do Tesouro Nacional. Só nos últimos quatro anos, o BNDES despejou mais de meio trilhão de reais na economia.
O banco vem tentando distribuir melhor esses recursos e terminou 2011 com a participação recorde de 36% das pequenas empresas no seu bolo bilionário de crédito. No entanto, a manutenção do protagonismo dos grandes grupos e a atuação do BNDES como coadjuvante decisivo em fusões e aquisições de empresas ainda dificulta a mudança de percepção.
A reação negativa da opinião pública à frustrada tentativa de fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour com participação do BNDES, em 2011, surpreendeu Coutinho, que chegou a reconhecer a pessoas próximas ter vivido seu pior momento no banco. Respeitado entre políticos e empresários e uma forte influência sobre Dilma Rousseff, o presidente do BNDES esforça-se para preservar a imagem técnica da instituição, cujo papel quer ver reconhecido.
Assim, o BNDES decidiu organizar a exibição de sua logomarca em placas nas grandes obras de infraestrutura que financia, como estradas e estações de metrô. Nos próximos dias, renova com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) acordo firmado em 2011 que prevê a fixação de adesivos com o nome do banco em ônibus, caminhões e tratores que saem das concessionárias graças ao seu crédito barato. Atualmente, o BNDES financia cerca de 70% das vendas desses veículos.
"Usamos a comunicação também como uma forma de prestar contas, de mostrar que mesmo o cidadão que não pega empréstimo tem o cotidiano beneficiado pelo BNDES", define Fábio Kerche, assessor da presidência do banco para a área de comunicação. Ele atribui boa parte da popularização da marca do banco ao Cartão BNDES, cujos desembolsos cresceram nove vezes em quatro anos, somando R$ 7 bilhões em 2011. O cartão, um limite pré-aprovado para pequenas empresas repassado por bancos credenciados, tem sido anunciado pelo BNDES na TV.
Imagem. Marcelo Salim, coordenador do Centro de Empreendedorismo do Ibmec-RJ, acha que a publicidade voltada para a informação dos pequenos empresários sobre o BNDES ajuda, mas não mudará a imagem do banco estatal se não vier acompanhada de medidas que realmente democratizem o acesso às suas linhas de crédito. Para ele, em vez de usar bancos intermediadores, o BNDES deveria buscar uma relação mais direta com as pequenas empresas por meio de associações ou incubadoras, por exemplo.
"O BNDES só vai mudar a imagem de que é o banco do grande empresário se continuar aumentando a participação dos pequenos no seu crédito. Por trás do vapor do marketing, é preciso ter algo sólido."
Fonte: O Estado de S.Paulo/Alexandre Rodrigues