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Se as instituições financeiras tiverem visão, finalmente firmarão esse compromisso ao qual já se recusaram no ano passado. Afinal, em 2011, o setor conseguiu feito histórico: encerrar o ano na liderança do ranking de reclamações do Idec pela primeira vez em doze anos. As queixas – cobrança indevida, débito não autorizado, taxa de juros, renegociação de dívidas e venda casada de produtos financeiros – só crescem. No Banco Central aumentaram 43% entre janeiro de 2010 e de 2011. Só no primeiro mês deste ano subiram 12% em relação a dezembro passado. Não é diferente no Procon/SP, onde os bancos sempre figuram entre os campeões de reclamação.
Pressão – Esses números são mais uma comprovação da pressão a que os bancários são submetidos diariamente e que já havia sido diagnosticada em pesquisa pelo Sindicato: situações de assédio moral e pressão por metas estão entre as maiores preocupações da categoria, levando o estresse a ocupar o primeiro lugar como o principal problema de 65% dos entrevistados. Mais da metade (52%) está sempre preocupada com o trabalho e com dificuldade para relaxar. Cansaço e fadiga constantes assolam 47% dos trabalhadores ouvidos.
“Bancários e consumidores são faces de uma mesma moeda: ambos sofrem com a política dos bancos. O bancário quando tem de vender, por exemplo, previdência privada num determinado período e, para isso, acaba oferecendo o produto para pessoas sem esse perfil. E o consumidor menos esclarecido quando adquire algo de que não necessita. Por isso queremos que os bancos assumam o compromisso de venda responsável”, afirma a coordenadora executiva do Idec, Lisa Gunn.
Cartilha – No dia 15, Idec e Sindicato lançam também cartilha que orienta os consumidores sobre os prós e contras dos principais produtos oferecidos pelas instituições financeiras – “as vedetes das metas”.
“Queremos promover o esclarecimento dos clientes e permitir que os bancários tenham como se proteger desse modo de gestão absurdo empregado pelos bancos, de forçar a venda de produtos com metas muitas vezes inatingíveis”, afirma a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira. “Os bancos devem cumprir um papel na sociedade de financiamento do setor produtivo, de colaborar com o desenvolvimento econômico responsável e sustentável. Comprometer-se com a venda responsável é uma boa forma que começar a trilhar esse novo caminho.”
Fonte: SEEB-SP