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Esse terror psicológico e práticas opressoras têm preocupado, não só o movimento LGBT, mas os movimentos sociais de modo geral. O sindicalismo cutista tem incorporado na sua agenda debates e reflexões sobre a temática da diversidade sexual. Nessa perspectiva, a categoria bancária, por meio das entidades sindicais, ao implementar ações cujo propósito é "desconstruir" e "desnaturalizar" atitudes e comportamentos preconceituosos, cumpre seu papel de sujeito indutor de transformação social e de mudança cultural. Não podemos aceitar que mulheres que amam mulheres sejam discriminadas e estigmatizadas pelo ódio homofóbico. Portanto, é urgente pautar o assunto num arco amplo de discussões e de relações.
Vale considerar que nesse ínterim a CNB-CUT, que antecedeu a Contraf-CUT, um ano depois da declaração do "Dia da Visibilidade Lésbica", criou em 1997 a Comissão de Gênero, Raça e Orientação Sexual (CGROS), que passa a tratar do tema da igualdade de oportunidades. No discorrer desses 15 anos publicou três cartilhas relativas ao tema, realizou a pesquisa nacional denominada "Os rostos dos bancários", fez incidência direta para a realização do Mapa da Diversidade no setor bancário, estudo que revelou profundas desigualdades de gênero e raça na categoria. Mas, que apontou o desafio de incorporar nas nossas reflexões, na ação sindical cotidiana e, sobretudo nos espaços de negociações coletivas, o tema orientação sexual, até então invisível nas análises.
O próprio censo (2010) do IBGE ainda não traz nos seus questionários perguntas relativas à identidade de gênero ou orientação sexual. O que o último censo mapeou foi à coabitação com parceiro do mesmo sexo, demonstrando como estamos distantes de dados mais precisos e confiáveis sobre a população LGBT no Brasil.
Apesar dessas dificuldades, os bancários conquistam, em 2009, uma cláusula importante relativa à isonomia de tratamento para casais homoafetivos, na Convenção Coletiva de Trabalho. Contudo, ainda observamos abusos devido à negação de oportunidades de emprego, ascensão profissional frente à orientação sexual.
Pois, a ideologia dominante patriarcal ainda não permite que as mulheres lésbicas possam viver a integralidade de sua sexualidade nas várias esferas de convívio social, como: na família, na educação, no lazer, no trabalho. Neste último, o que chama atenção é que elas ainda são "obrigadas" a seguir os ditos padrões do comportamento e dos ditos papéis femininos, pois estão sob a ameaça de demissões se destoam da heteronormatividade.
O "Dia da Visibilidade Lésbica" é o dia de manifestar nossa resistência ao machismo que mata, fere e viola os direitos humanos das mulheres e sua liberdade. Também é a oportunidade de somar forças e conquistar aliados, além de gritar aos quatro cantos que as mulheres têm o direito à felicidade, que os seus desejos e afetos devem ser respeitados. É um dia especial, um dia para publicar textos, enviar mensagens, postar banner, compartilhar link, dar testemunho, protestar, é uma ocasião para dar visibilidade às mulheres que subvertem a lógica do sexo frágil, porque são mulheres que vivem sem homens.
A Contraf-CUT e o movimento sindical como um todo devem aprofundar o debate sobre o tema orientação sexual e identificar a violência auto-imposta a esse grupo de pessoas. É urgente construir estratégias e lutas para ampliar e conquistar direitos. Também precisamos incidir positivamente na luta pela aprovação do Projeto de Lei da Câmara (PLC) nº 122/2006, apresentado pela então deputada Iara Bernardi (PT-SP), que criminaliza a homofobia, para que os direitos humanos sejam verdadeiramente respeitados nesse país.
Andréa Vasconcelos
Secretaria de Políticas Sociais da Contraf-CUT
Deise Recoaro
Secretaria de Mulheres da Contraf-CUT
Fonte: Contraf-CUT