30 anos da greve dos bancários de 1979 é resgatada dia-a-dia pelo jornal ZH

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Crédito: Seeb Porto Alegre
Seeb Porto Alegre A coluna "Há 30 anos em ZH", do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, lembrou o dia-a-dia da greve dos bancários em 1979 que está completando 30 anos. O movimento começou em Porto Alegre e no interior gaúcho, ganhou adesão no Rio e em São Paulo e foi duramente reprimido pela ditadura, com a intervenção em sindicatos e prisão de dirigentes sindicais.

O Sindicato dos Bancários de Porto Alegre (SindBancários) recortou as notas publicadas na coluna, recompondo o desenrolar da paralisação e o contexto histórico, contribuindo para o conhecimento e a compreensão dos fatos que marcaram a história de luta dos trabalhadores e ajudaram na organização nacional da categoria e na redemocratização do país.

O movimento foi celebrado pelo SindBancários com a publicação de um encarte especial no jornal O Bancário e com o lançamento do documentário "Os 30 anos da greve proibida", de Hique Montanari, exibido com sucesso no último dia 3 no CineBancários, com a presença de vários dirigentes sindicais que participaram da mobilização de 1979.

"A paralisação, na época, demonstrou a força da categoria", declarou, no documentário, o então presidente do Sindicato e ex-governador gaúcho Olívio Dutra, preso no início da greve por liderar o movimento.

"Mais do que enfrentar patrões e bancos, a mobilização representou enfrentamento ao sistema, aos anos de chumbo", destaca o presidente do SindBancários, Juberlei Bacelo.

"A greve dos bancários, deflagada após a paralisação dos metalúrgicos do ABC, foi uma resposta contundente da categoria na defesa de suas reivindicações e na luta contra a ditadura militar e entrou na história dos trabalhadores brasileiros", completa o secretário de imprensa da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr.

Leia abaixo as notas publicadas por ZH:

Zero Hora – 5 de setembro de 1979

Deflagrada greve dos bancários
Em assembleia geral que contou com a participação maciça dos sindicalizados, os bancários da Capital decidiram paralisar os serviços a partir da meia-noite de hoje. A categoria, que reivindica um aumento de 86% e mudança da data-base do dissídio, aguardava uma contraproposta patronal desde o dia 16 de agosto. Entretanto, até ontem à noite, os banqueiros não haviam apresentado nenhum item para negociação. O movimento poderá se estender a todo o Estado, conforme o presidente do sindicato em Porto Alegre, Olívio Dutra, já que em várias cidades estão marcadas reuniões para hoje.

Zero Hora – 6 de setembro de 1979

Ameaça de intervenção federal
Advertência, suspensão de até 30 dias e rescisão do contrato de trabalho com demissão por justa causa são as penas a que estão sujeitos os bancários da Capital, em greve desde ontem. Em telex enviado ao delegado regional do Trabalho, Celito De Grandi, o ministro do Trabalho, Murilo Macedo, considerou o movimento ilegal, por tratar-se de paralisação de serviço essencial à população. Ainda hoje, poderá ser decretada a intervenção federal no sindicato da categoria, em Porto Alegre. "Agora, teremos mais uma bandeira nesta luta, que é a reconquista do sindicato", afirmou o líder dos bancários, Olívio Dutra.

Zero Hora – 7 de setembro de 1979

Decretada intervenção
A diretoria do Sindicato dos Bancários da Capital foi afastada ontem por ordem do Ministro do Trabalho, Murilo Macedo. No mesmo despacho, foi nomeada uma junta governativa integrada por três bancários para administrar a entidade enquanto durar a apuração de responsabilidades na greve iniciada há dois dias pela categoria. Ao deixar de designar representantes do Ministério do Trabalho, a medida foi classificada pelos grevistas de intervenção branca. O presidente do sindicato de Porto Alegre, Olívio Dutra, foi preso ontem à noite, juntamente com Luis Felipe Nogueira, também dirigente da associação. Ambos foram enquadrados na Lei de Segurança por incitação a paralisação em setor essencial da economia.

Zero Hora – 8 de setembro de 1979

Olívio recebe visita de Tarso
Os dirigentes sindicais Olívio Dutra e Felipe Nogueira, detidos na sede da Polícia Federal por incitamento à greve, tiveram um breve contato com o advogado do Sindicato dos Bancários, ontem à tarde. Tarso Genro, encarregado da defesa da entidade, disse que os presos "estão com boa disposição, mantendo o moral elevado". Edgar Fuques, coordenador regional da PF, informou à imprensa que existem mais oito mandados de prisão para serem expedidos contra grevistas da Capital.

Zero Hora – 9 de setembro de 1979

Lula se solidariza com bancários
O comando de greve dos bancários da Capital decidiu manter a paralisação até que suas reivindicações sejam atendidas, entre as quais, o reajuste salarial de 86%. Está previsto um ato público para amanhã de manhã, na Praça da Alfândega. O líder dos metalúrgicos do ABC paulista, Luiz Inácio da Silva, o Lula, deve chegar a Porto Alegre para dar apoio e reforçar o movimento.

Zero Hora – 10 de setembro de 1979

Assembleia
Cerca de 3 mil bancários compareceram à assembleia convocada pelo Comando Geral de Greve ontem à tarde, na Capital. No encontro, firmaram o propósito de prosseguir com a paralisação. O orador mais aplaudido foi o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, Luiz Inácio da Silva, o Lula, que manifestou sua solidariedade aos grevistas. A Polícia Federal não permitiu que a comissão de dirigentes sindicais liderada por Lula visitasse o líder dos bancários, Olívio Dutra, preso desde quinta-feira passada.

Caetano Veloso
Para reforçar o movimento de classe, o comando de greve dos bancários promoveu o Show da Solidariedade no auditório da Assembleia Legislativa, ontem à tarde. Entre as atrações, estavam Nelson Coelho de Castro, Fernando Ribeiro e Noel Guarany. Encerrando sua passagem pela Capital, Caetano Veloso compareceu ao evento e cantou duas músicas.

Zero Hora – 11 de setembro de 1979

Bancários rejeitam contraproposta
Os mais de 6 mil bancários presentes à assembleia realizada ontem no Gigantinho decidiram, por aclamação, rejeitar a proposta conciliatória apresentada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT). O retorno imediato ao trabalho foi uma das condições impostas pelos banqueiros para o avanço das negociações da greve que se prolonga por uma semana. Olívio Dutra e Luís Felipe Nogueira, os dois líderes sindicais presos desde a última quinta-feira, ganharam ontem à tarde mais um defensor a favor de sua libertação: o cardeal dom Vicente Scherer. Em um telefonema ao superintendente da Polícia Federal, delegado Edgar Fuques, o religioso fez um apelo pela libertação dos dirigentes, ressaltando a importância da participação dos mesmos para a mediação do fim do conflito.

Zero Hora – 12 de setembro de 1979

Prossegue a greve na capital
Em nova aasmebléia geral, realizada ontem, no Gigantinho, os bancários da Capital decidiram manter a greve. Além dos 86% de aumento salarial, a categoria reivindica a libertação dos líderes sindicais que se encontram detidos na sede da Polícia Federal, entre os quais, Olívio Dutra, presidente do Sindicato. Já os grevistas do Interior aceitaram o acordo proposto pelo TRT, que prevê reajuste de até 15% acima do índice mensal e devem voltar hoje ao trabalho. Bancários do Rio e de São Paulo também poderão paralisar suas atividades a partir de hoje.

Zero Hora – 13 de setembro de 1979

Greve dos bancários ganha força
Os bancários das duas praças financeiras mais importantes do país, Rio de São Paulo, decidiram paralisar suas atividades a partir de hoje. Em Porto Alegre, onde a greve se prolonga há nove dias, a situação permanece tensa, com a prisão de mais dois líderes do movimento, realizada ontem à noite. É aguardado para hoje à tarde o depoimento do presidente do sindicato da categoria na Capital, Olívio Dutra, detido na sede da Polícia Federal por incitação à greve. Ainda hoje, encerra-se o período de incomunicabilidade do dirigente – oito dias, de acordo com a Lei de Segurança Nacional. Manifestantes percorreram a Rua da Praia em passeata, solidários à causa dos sindicalistas presos no estado.

Zero Hora – 14 de setembro de 1979

Bancários mobilizados
Tropas de choque da Polícia Militar entraram em conflito ontem com os bancários grevistas no centro de São Paulo. Houve tumulto e várias agências foram alvo de depredação. No Rio, os piquetes começaram a agir nas primeiras horas da manhã, e a adesão ao movimento paredista foi maciça. O ministro do Trabalho, Murilo Macedo, decretou a ilegalidade do movimento na capital fluminense e afastou toda a diretoria do sindicato da categoria. Em Porto Alegre, mais de 25 entidades civis devem participar de um ato público em repúdio às prisões de dirigentes sindicais e de trabalhadores que ocorreram no país nos últimos dias.

Olívio Dutra defende a greve dos Bancários
O presidente do Sindicato dos Bancários da Capital, Olívio Dutra, foi interrogado durante quatro horas, ontem à tarde, na sede da Polícia Federal, onde se encontra detido há mais de uma semana por incitação à greve. No depoimento assistido pelo advogado Tarso Genro, Dutra defendeu a continuidade do movimento, alegando que a decisão foi tomada em uma assembléia com a participação de mais de 8 mil bancários e, por isso, soberana.

Zero Hora – 15 de setembro de 1979

Pedido de suspensão é rejeitado
Por unanimidade, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) rejeitou ontem a preliminar levantada pelos banqueiros para que encaminhassem o pedido de cessação da greve dos bancários. Os juízes julgaram que o fato já estava consumado, a partir do reconhecimento do estado de greve decretado pelo ministro do Trabalho, Murilo Macedo. Por outro lado, o TRT reconheceu a legitimidade do Sindicato dos Bancos para pedir a instauração de dissídio coletivo da categoria e aguarda os documentos a serem encaminhados pelo Sindicato dos Bancários para começar o julgamento.

Zero Hora – 17 de setembro de 1979

Fim da greve no centro do país
Durante o final de semana, os bancários em greve no Rio e em São Paulo decidiram, em assembleia, retomar as atividades a partir de hoje. Em Porto Alegre, a categoria aguarda uma contraproposta patronal e se reúne hoje pela manhã no Gigantinho. Os advogados Tarso Genro e Décio Freitas enviaram a Brasília um pedido de habeas corpus em favor dos quatro líderes sindicais presos – Olívio Dutra, Luiz Felipe Nogueira, Ana Santa Cruz e Namir Bueno. A solicitação será julgada hoje à tarde pelo Superior Tribunal Militar. "Este é o primeiro habeas corpus impetrado em favor de dirigentes sindicais em greve, depois da entrada em vigor da Lei de Segurança Nacional", disse Tarso Genro.

Zero Hora – 19 de setembro de 1979

Termina a greve dos bancários
Mesmo sem garantia de estabilidade aos profissionais, a greve dos bancários da Capital, iniciada há 15 dias, foi dada por encerrada na assembleia realizada ontem à tarde. O comando geral de greve fez uma avaliação sobre o movimento e constatou que há uma semana não havia conseguido nenhum progresso em termos de proposta concreta. As negociações, porém, vão continuar. Uma comissão irá defender para os bancários de Porto Alegre as mesmas vantagens do acordo feito com os grevistas do Interior. Entre as disposições do pacto, está o aumento de 5% a 15% acima do índice oficial de novembro, estabilidade provisória de seis meses e garantia de readmissão dos punidos pela paralisação.

Zero Hora – 20 de setembro de 1979

Depois da greve, as demissões
No primeiro dia de normalização das atividades bancárias, as principais agências da Capital registraram um movimento acima da média. Os bancários, que voltaram ao trabalho sem garantias, começaram a sentir os primeiros reflexos da punição ao movimento grevista: cerca de 300 foram demitidos. O departamento jurídico do Sindicato dos Bancários estuda formas de reverter este quadro.

Zero Hora – 21 de setembro de 1979

Bancários são libertados
A Polícia Federal deu início na madrugada de ontem à libertação dos líderes bancários presos na Capital. O presidente do sindicato da categoria, Olívio Dutra, e seu companheiro Felipe Nogueira foram os primeiros a serem soltos. Por volta do meio-dia, Ana Santa Cruz e Namir Bueno, integrantes do comando de greve, também estavam livres. "A nossa prisão foi política, por dois aspectos. Primeiro: o ministro do Trabalho queria dar uma lambada naquele que considera o articulador da greve. Segundo: as autoridades acreditavam que o movimento grevista ficaria desgovernado, mas a categoria se mostrou mobilizada", disse Olívio.

Fonte: Contraf-CUT com Seeb Porto Alegre e Zero Hora

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