Ato público nesta sexta lembra os 10 anos da privatização do Banespa

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banespa2.jpgNeste sábado, dia 20 de novembro, serão completados dez anos de um episódio triste para os bancários e povo paulista e brasileiro. Nessa data, no ano de 2000, era oficializada a privatização do Banco do Estado de São Paulo, o Banespa, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. A venda foi mais uma das obras nefastas dos tucanos.

Federalizado pelo governo de Mario Covas e Geraldo Alckmin, o banco foi vendido por Fernando Henrique Cardoso ao banco espanhol Santander – José Serra era então ministro do Planejamento. As entidades sindicais e a Afubesp resistiram bravamente ao longo de quase seis anos, promovendo fortes mobilizações dos banespianos e da sociedade.

Para relembrar a luta e denunciar aqueles que entregaram o patrimônio do Estado de São Paulo aos espanhóis, a Afubesp e entidades sindicais promovem um ato de protesto pelos 10 anos da privatização do Banespa. A atividade será realizada nesta sexta-feira, dia 19, às 11 horas, em frente ao edifício-sede do Banespa, no centro de São Paulo.

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"A privatização foi um mau negócio para todos os brasileiros, com exceção do Santander. Milhares de trabalhadores e trabalhadoras perderam seus empregos, várias conquistas dos bancários foram retiradas e dezenas de agências foram fechadas, prejudicando o atendimento da população. Além disso, São Paulo perdeu o maior instrumento de crédito e indutor de desenvolvimento econômico e social do Estado", denuncia Ademir Wiederkehr, secretário de Imprensa da Contraf-CUT.

"Relembrar os 10 anos da privatização do Banespa é muito importante para todos os brasileiros. A era das privatizações está sendo deixada para trás no Brasil, mas o Estado de São Paulo ainda sofre desse mal, contra o qual os cidadãos devem estar prevenidos", destaca o diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo e presidente da Afubesp, Paulo Salvador.

Histórias que o tempo não apaga

O dia 20 de novembro de 2000 era uma segunda-feira, com o ar de primavera igual ao deste ano. Às 10h, instalava-se na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro – longe do ringue paulista – o leilão de privatização do Banespa.

Os bancários tinham feito um movimento vigoroso de resistência, desde a intervenção do Banco Central, no final de 1994. Os sindicatos e a Afubesp conquistaram várias liminares e decisões judiciais, ganhando apoio na sociedade e forçando sucessivos adiamentos do leilão.

A venda só ocorreu após o governo FHC ter baixado uma medida provisória, conhecida como MP do Banespa, que remetia qualquer recurso para a apreciação direta do presidente do STF, ministro Carlos Veloso.

Na véspera da privatização, havia uma liminar que impedia a realização do leilão. Velloso fez plantão naquele fim de semana, recebendo no sábado à tarde o recurso da Advocacia-Geral da União, então sob o comando de Gilmar Mendes, hoje ministro do STF, e cassando na noite de domingo a medida judicial, o que possibilitou a venda do banco para o Santander na manhã de segunda-feira.

Em todo país, os funcionários do Banespa receberam a notícia, durante uma paralisação cívica em frente às agências. Uma grande concentração ocorreu diante do edifício-sede do Banespa, no centro de São Paulo. Muitos se emocionaram e choraram.

"Na capital gaúcha, cantamos o hino nacional e o hino riograndense, como sinal de que nossa luta não fora em vão, pois não compactuamos com o entreguismo dos tucanos e defendemos o patrimônio público", lembra Ademir, que também é diretordo Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e da Afubesp.

Venda com preço subavaliado

As entidades sindicais e de representação, que lideraram a defesa do Banespa como banco público, consideravam na época o preço mínimo de venda subavaliado. O valor havia sido fixado em R$ 1,850 bilhão.

O Banespa foi entregue ao Santander por R$ 7,050 bilhões, quase seis anos depois de sofrer intervenção do Banco Central, em dezembro de 1994, no final do governo Fleury e às vésperas da posse do governo Covas. A venda representou um ágio de 281% sobre o preço mínimo. O lance do Unibanco foi de R$ 2,1 bilhões e o do Bradesco, de R$ 1,86 bilhão. O Itaú não apareceu.

O então procurador da República no Distrito Federal, Luiz Francisco de Souza, disse que o valor oferecido pelo Santander reforçava a tese de que o preço mínimo do banco foi subavaliado pelo governo tucano. Segundo o procurador, com o ágio o Santander seria beneficiado com créditos tributários, o que assegurou efetivamente generosos abatimentos no imposto de renda.

Um estudo feito na época por economistas do Dieese e da Unicamp apurou falhas na avaliação do banco e estimou que o preço mínimo devia ter sido o dobro do valor oficial, que não considerou, entre outros fatores, a marca Banespa e os créditos fiscais.

Após o leilão, o então presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, João Vaccari Neto, declarou que a venda do banco foi realizada depois de um acerto entre os compradores. "Por que o Itaú não concorreu? Por que o Bradesco apresentou preço mínimo? Por que o Unibanco apresentou proposta baixa? Isso foi um acerto para o Banespa ser vendido para um banco internacional".

A luta não acabou com a privatização

Vítimas da privatização, os banespianos continuaram lutando em defesa dos empregos e direitos, garantindo estabilidade no emprego por alguns anos e aposentadoria para milhares de funcionários. Também foi assegurada a manutenção do fundo de previdência (Banesprev) e da caixa de assistência à saúde (Cabesp), pois o edital de privatização previa o patrocínio do banco somente por 18 meses e 60 meses, respectivamente.

"Para os trabalhadores e aposentados que foram à luta, o dia 20 de novembro deste ano marca uma década da privatização do Banespa e de continuidade da luta em defesa de empregos e direitos. Será uma oportunidade de lembrar e homenagear milhares de homens e mulheres que acreditaram no valor de seus ideais, enfrentaram os governos tucanos e defenderam o banco como patrimônio público", salienta Ademir.

As entidades sindicais conquistaram um acordo aditivo à convenção coletiva, que amplia direitos para os trabalhadores do Santander. O instrumento é hoje extensivo aos empregados oriundos do Noroeste, Geral do Comércio, Meridional e Real.

Os aposentados esperam a retomada das negociações com o Santander para discutir o enorme passivo trabalhista. O assunto foi objeto, junto com as demissões de funcionários, da audiência pública ocorrida na Câmara Federal, no dia 5 de novembro de 2009, por iniciativa da deputada Emília Fernandes (PT-RS).

O deputado Nelson Marquezzeli (PTB-SP) também protocolou um pedido de instalação de uma CPI para investigar o uso dos títulos federais emitidos para pagar aposentadorias e pensões do pessoal pré-75 do Banespa. A CPI deve ser instadada em breve.

"A defesa dos empregos e direitos e a luta pelo respeito aos aposentados e pela preservação dos estatutos do Banesprev e da Cabesp confirmam que a privatização não acabou com a resistência dos trabalhadores e que sobrou muita energia, bravura e dignidade para seguir batalhando", conclui o diretor da Contraf-CUT.

Fonte: Contraf-CUT

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