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O aumento das reservas nos últimos anos não está ligado, no entanto, ao objetivo de ter um seguro maior, mas à necessidade de retirar do mercado parte dos dólares que entram no país para lucrar com os juros altos.
"Se o país quer um seguro, US$ 300 bilhões é mais que o necessário. Passamos pela crise com US$ 200 bilhões. Agora, se o objetivo é interferir na taxa de câmbio, é preciso avaliar se o custo compensa", diz o economista Márcio Garcia, da PUC-RJ.
Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora, diz que a política de aumento das reservas como um seguro fazia sentido quando o Brasil era um país considerado mais arriscado para investimentos externos. Hoje, no entanto, o governo compra dólar apenas para segurar a cotação da moeda.
O Brasil está entre as seis economias com as maiores reservas. Os três maiores são China (US$ 2,8 trilhões), Japão (US$ 1,1 trilhão) e Rússia (US$ 484 bilhões).
O acúmulo de dólares nos últimos quatro meses foi o maior entre os países que já divulgaram dados para 2011. Com isso, o Brasil praticamente empatou em valores com a Índia e deixou para trás Coreia e Hong Kong.
Nesses países, no entanto, os juros são menores, o que reduz o custo que eles têm para manter esse seguro, segundo Garcia, da PUC-RJ.
A maior parte desse custo se deve à diferença entre o que o país paga por esse dinheiro e o que recebe ao aplicá-lo. Ao comprar dólares, o BC vende títulos públicos, que pagam, na média, juros de 15% ao ano. Depois, aplica o dinheiro a uma taxa inferior a 5% no exterior.
Além da diferença de rentabilidade, o BC tem em mãos uma moeda que perde valor em relação ao real.
Estudo do BC apresentado no ano passado estimou um custo de R$ 68 bilhões entre 2004 e 2010, que trariam benefício da ordem de R$ 600 bilhões para a economia em momentos de crise, ao evitar uma fuga de dólares do país.
A política atual de reservas começou em 2004, mas ganhou força nos últimos quatro anos, com o aumento no fluxo de dólares. No início do governo Lula, o país tinha menos de U$ 40 bilhões.