PL do estupro: após conseguir desacelerar tramitação, mulheres protestam agora pelo arquivamento

Getting your Trinity Audio player ready...

Ato realizado na capital paulista, nesta quinta (27), segue agenda que une movimentos sociais feministas, de todo o país, em torno da defesa da dignidade humana de meninas e mulheres

Movimentos sociais feministas realizam, nesta quinta-feira (27), na capital de São Paulo, protestos pedindo o arquivamento do Projeto de Lei nº 1904, que equipara o aborto ao homicídio, até mesmo nos casos permitidos hoje em lei, ou seja, quando a gravidez é fruto de violência (estupro), coloca em risco a vida da mãe ou quando o feto é anencefálico, razão pela qual a proposta, do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), ganhou o título de “PL do estupro”.

A concentração está sendo organizada pelo bloco da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do estado, e se dará a partir das 17h30, na Av. Paulista, com a orientação para que as manifestantes venham de preto e com uma vela.

A secretária da Mulher da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Fernanda Lopes, que apoia a iniciativa, explica que a manifestação faz parte de agenda nacional, organizada em todo o país por diversas organizações, e que conseguiu desacelerar a votação do projeto de lei na Câmara dos Deputados.

“O aborto é um dos principais causadores de mortes maternas no Brasil, como mostram pesquisas realizadas com base em dados oficiais. Portanto, é uma questão de saúde pública”, destacou a dirigente. “Os autores e defensores dessa lei, além de desconsiderar o fator saúde pública, violentam a dignidade humana de meninas e mulheres”, completou, ao destacar que, ao prever pena de 6 a 20 anos para o aborto provocado, por qualquer motivo, acima de 22 semanas, o PL do Estupro equipara a interrupção de gravidez ao crime de homicídio, além de colocá-lo acima do crime de estupro, com pena hoje de 10 anos.

Protestos desaceleraram votação

Os protestos começaram a ser mobilizados logo após a Câmara dos Deputados aprovar, no dia 12 de junho, a urgência na votação do PL 1904, podendo ser decidido diretamente no plenário, sem discussão nas comissões.

“Essa manobra, além de trazer sérios prejuízos às mulheres e meninas, revela interesses totalmente políticos, da bancada evangélica, na busca para impulsionar a imagem junto ao eleitorado, com base em discurso puramente conservador e religioso, e não técnico e de saúde pública. Além disso, o resgate da pauta antiaborto é também uma forma de desgastar o governo e desviar da população outros temas importantes que estão em debate no Congresso”, avalia a secretária de Políticas Sociais da Contraf-CUT, Elaine Cutis. “Por isso que, apesar de estarmos em meio à campanha nacional dos bancários, para a renovação do acordo coletivo, nós, mulheres da categoria estamos atuando também neste debate e participando das manifestações”, completou.

Como feito dos protestos, apesar de ter participado da manobra que levou o texto para o regime de urgência, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), se viu pressionado e anunciou a criação de uma comissão para debater o PL do Estupro, para o segundo semestre deste ano.

Na última sexta-feira (21), o parlamentar recebeu da Comissão Arns um ofício solicitando o arquivamento do PL, que a entidade avalia como “um retrocesso inaceitável para a sociedade brasileira, ao mesmo tempo em que joga luz sobre a responsabilidade do Estado no cuidado das vítimas da violência sexual e de gênero, especialmente nas camadas carentes da população”.

Proteger abusadores, revitimizar crianças e mulheres

Segundo levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, somente em 2022, cerca de 75 mil pessoas foram violentadas no Brasil, sendo quase 90% do sexo feminino e 60% crianças menores de 13 anos. Com isso, os movimentos sociais feministas apontam que os parlamentares que defendem o PL 1904 estão protegendo violadores e pedófilos em detrimento do cuidado às vítimas.

Fonte: Contraf-CUT

Enfrentamento ao Assédio Moral e Sexual
Sindicalize-se
Mapa da Violência
Nossos Convênios