Adoecimento psíquico aumenta entre bancários e já responde por metade das CATs em 2025

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O número de trabalhadores adoecidos por causas psíquicas no setor bancário tem crescido de forma preocupante. De acordo com dados da Secretaria de Saúde do Sindicato dos Bancários, em 2024 foram emitidos 172 CATs (Comunicados de Acidente de Trabalho), dos quais 70 – o equivalente a 40,7% – estavam relacionados a transtornos psicológicos. Já em 2025, até o momento, foram registradas 65 CATs, sendo 32 por questões psíquicas, o que representa 49,2% do total.


O crescimento proporcional chama atenção: em apenas um ano, a participação dos casos de adoecimento mental quase atingiu a metade de todas as notificações de acidentes de trabalho, revelando um cenário de alerta para a saúde mental dos bancários.
O ambiente de trabalho nas instituições financeiras tem se mostrado, cada vez mais, um dos principais fatores de sofrimento emocional. A imposição de metas abusivas, o assédio moral, a competitividade extrema e a pressão constante criam condições que favorecem o adoecimento psíquico dos trabalhadores. Esse contexto hostil afeta diretamente a saúde mental e física, interferindo na qualidade de vida e no desempenho profissional.


A realidade exposta pelos números reforça o que trabalhadores denunciam há anos: o sofrimento psíquico nos bancos não é exceção, mas consequência de uma lógica organizacional perversa, onde o adoecimento é naturalizado em nome da produtividade.
“Estar adaptado a um ambiente doente não é sinal de saúde. Trabalhar exausto, viver sob pressão constante e manter a produtividade a qualquer custo não é virtude — é adoecer em silêncio. Precisamos romper esse ciclo e lutar por condições de trabalho que respeitem a dignidade e a saúde mental dos bancários”, afirmou Washington Luiz, secretário de Política Social e Saúde do Trabalhador
Bradesco.


Além dos impactos diretos na vida dos trabalhadores – como crises de ansiedade, depressão, insônia e afastamentos prolongados – o aumento nos casos de adoecimento psíquico representa também um alerta para as instituições empregadoras.
O Sindicato dos Bancários da Paraíba alerta para a importância de que os trabalhadores estejam atentos aos sinais de exaustão emocional e busquem apoio o mais cedo possível. Além disso, a entidade cobra das instituições bancárias mudanças concretas nas condições de trabalho, como a definição de metas mais humanas, a promoção de uma cultura de escuta ativa, o combate ao assédio moral e a valorização da saúde mental no ambiente profissional. Para o Sindicato, a eficiência no trabalho não pode continuar sendo alcançada às custas do bem-estar dos bancários.


Diante desse cenário, o Sindicato continua oferecendo apoio psicológico, orientações jurídicas e acompanhamento aos trabalhadores que enfrentam problemas de saúde mental relacionados ao trabalho, além de seguir na luta por ambientes de trabalho mais humanos, seguros e saudáveis.

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