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Terceiro maior fundo de pensão do país, com patrimônio inferior apenas ao da Previ (dos funcionários do Banco do Brasil) e ao da Petros (Petrobras), a Funcef é a que mais aposta no mercado imobiliário. Investe hoje, nesse segmento, 8% de seu patrimônio, face a uma aplicação média de 3% dos outros fundos de pensão. Não aplica mais do que isso porque esse é o limite fixado pela resolução 3.792, do Conselho Monetário Nacional. "Nós queríamos 10%, mas a resolução ficou em 8%", disse Lacerda, lembrando que, em 2008, o investimento em imóveis representava 7% do ativo da Funcef.
A fundação aposta na rentabilidade desse mercado. No auge da crise internacional, aproveitando a queda dos preços dos ativos, adquiriu da InPar, por cerca de R$ 60 milhões, o edifício Medical Center, no bairro paulistano do Itaim Bibi. Lá, o tradicional hospital Sírio-Libanês instalará uma nova unidade. "Há um boom no setor imobiliário e nós estamos tirando proveito disso", disse Lacerda.
Com a queda da taxa básica de juros (Selic), que o presidente da Funcef considera "estrutural", os fundos de pensão têm buscado rentabilidade em outros setores. O mercado de ações tem sido uma das principais opções, mas, no caso da Funcef, além do setor imobiliário, olha-se também para o mercado de dívida – debêntures, Cédula de Crédito Bancário (CCB) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) emitidos pelas empresas.
"Em plena crise, criamos uma fonte alternativa de financiamento para as empresas, quando o crédito estava escasso e caro", observou Guilherme Lacerda. De fato, no ano passado, a Funcef montou uma carteira de R$ 1,5 bilhão nessa modalidade de investimento. Do total, comprou R$ 200 milhões em CCB do grupo Odebrecht e, numa aplicação conjunta com a Petros, R$ 330 milhões da Itapoá Terminais Portuários.
Em tempos de Selic e inflação em patamares historicamente baixos, a rentabilidade desses investimentos pode ser atrativa. Eles rendem para o investidor a variação da inflação, acrescida da Selic e de um spread que varia de acordo com o risco de cada empresa – algo em torno de 15% ao ano. "É muito melhor do que aplicar apenas em título público e receber 8,75% ao ano de Selic", assinalou Lacerda.
Na área de infraestrutura, a Funcef vai investir R$ 125 milhões no Fundo de Investimento em Participações (FIP) Óleo e Gás, gerido pelo Banco Modal, que já reuniu R$ 500 milhões para aplicar em empresas da cadeia produtiva de petróleo, um dos alvos da nova política industrial que está sendo formulada pelo governo federal, com vistas à exploração do petróleo da camada pré-sal. Além disso, já há conversas da Funcef com investidores coreanos e com o Grupo Bertin para participar da licitação do trem-bala que ligará Campinas (SP), São Paulo e o Rio de Janeiro.
Cristiano Romero, de Brasília





